segunda-feira, 29 de março de 2021

Visão sistêmica e miopia sistemática - uma questão de ótica!

João Wagner Galuzio

Certa vez, depois de eu descrever a importância da visão sistêmica como competência diferencial para o exercício cidadão e profissional, um aluno me trouxe, na aula seguinte, seu currículo onde já havia adicionado essa virtude entre suas qualificações. Expliquei, por óbvio, que no currículo devemos apresentar tudo aquilo que podemos demonstrar suficiência ou experiência. Propus um desafio para que pudesse demonstrar essa capacidade e lhe pedi que fizesse uma análise da, então recente, crise financeira internacional decorrente dos eventos relativos aos títulos sub prime que devastou a economia por todo o planeta no final da primeira década do século 21. Ligeiro, ele respondeu: “É uma crise, é financeira e é internacional!”

Naturalmente tive oportunidade de orientar o noviço sobre como parecia singela sua resposta e apresentei alguns elementos que, no meu também modesto entendimento, pareciam ser ingredientes de uma visão sistêmica como as habilidades de observar e perceber a dinâmica, a velocidade e a intensidade ao longo do tempo e, simultaneamente, reconhecer a extensão e a repercussão no espaço ou ambiente relativo aos eventos intrínsecos a aquela crise.

Apesar de 10 anos passados, penso que cada vez mais seja necessário refletir nestes tempos em que redes sociais se tornaram tribunais, muitos blogs pretendem ser agência de notícias e indivíduos que, de cidadãos conscientes, se converteram em aglomerados radicais, cujas opiniões são determinadas por algum tutor ou mecanismo virtual. Como isso pode acontecer? Eu, cândido e poliano, vou tripudiar uma hipótese, primária, mas plausível.

Para contextualizar vou buscar algumas referências ancestrais relativas ao desenvolvimento de nosso jeito homo sapiens de entender o mundo. O nosso córtex pré-frontal é um dos componentes mais sofisticados do nosso cérebro e capaz de observar, comparar, associar, elaborar e processar raciocínios complexos. No entanto, esse processador fenomenal talvez esteja perdendo protagonismo para os nossos cérebros límbico e reptiliano, que alternam soluções excludentes entre si: bater ou correr, lutar ou fugir, enfrentar ou se esconder. Parece que nunca foi tão fácil (e delicioso) criticar ou, como se convencionou dizer mais recentemente, ‘cancelar’ o outro. Não concordamos com o que nem entendemos e então criticamos ou, se impotentes para criticar, tratamos como descartável e desprezível a opinião do outro, simplesmente lhe atribuindo com sarcasmo qualquer predicado ou adjetivo infeliz.

Otimista compulsivo, eu pensava que este retrocesso fosse de apenas algumas poucas décadas, mas agora percebo que o gatilho da polarização nos transporta, na melhor das hipóteses, à idade média e, na pior das hipóteses, à idade da pedra lascada. A conveniência da mentalidade medieval nos trazia conforto quando enxergávamos o sol em torno da terra, dogma que parecia óbvio no tempo das trevas. Antes, como nômades sapiens, temíamos a luz além das cavernas, valei-me Platão. Esse enxergava muito! Essa polarização atual patrocina o linchamento dos que se alternam e se altercam em cavernas vizinhas, mas opostas.

O que é sombra para um é luz para o outro e vice versa. Ofende a todos os entrevados atrever-se tentar enxergar além de sombras no cafofo da caverna, zona de conforto de cérebros cujos neurônios parecem satisfeitos encharcados de dopamina, uma lente química para recompensar nossas certezas. O método de linchamento varia conforme o buraco em que se meteram. Para os ermitões à direita, pensamento crítico faz do iluminado um ‘isentão’ ou omisso, para os que se acham progressistas na caverna à esquerda, ter comportamento ou consciência diferente, o torna um burguês, classe média. Para os que estão em cavernas, não interessa a razão, apenas a desmoralização. Para manterem a ordem unida uns, surdos, berram slogans e gritos de guerra, enquanto do outro lado, alguns punhados gritam e repetem citações como se decreto, certeza ou verdade absoluta fossem.

Hoje, para viver e crescer numa sociedade complexa e dinâmica impõe-se, como elementar, a necessidade de se perceber, observar e aprender os movimentos mais ou menos velozes e as tensas e intensas mudanças ao logo do tempo; e, mais ou menos abrangentes e extensas no espaço. Parâmetros elementares que representam a base da visão sistêmica. Se não, de outro modo, míopes, vamos perceber e observar quaisquer fenômenos de um jeito embaçado e, ou, editados e afetados por lentes distorcidas, provocando o astigmatismo ideológico.

Perceber e observar fotos e memes, alguns divertidos - é verdade-, outros ‘ingênuos’, para se entender as engrenagens de como se dá a evolução política de uma sociedade, a relação entre os poderes, as implicações jurídicas e as sutilezas culturais representa uma sistemática miopia intelectual. Para ficar na metáfora oftalmológica é como ignorar um grave escotoma, para enxergarmos apenas o que podemos ou queremos. Um escotoma pode ser natural, o ponto cego lateral de nossa vista ou, se patológico, é a perda, menor ou maior, de parte do campo visual resultado de uma lesão na retina. Por analogia, também se diz escotoma a nossa fixação em um único e estreito foco na observação ou análise de qualquer evento, versus um universo de detalhes em perspectiva. Enxergamos apenas o paradigma mais confortável como arma para lutar ou ferramenta para fugir do que não sabemos.

Negação, distorção e generalização são algumas das lentes mais fáceis para fazer nossa miopia parecer ‘supervisão’ sistêmica. Prevalece o domínio do método indutivo para se entender o todo a partir de algum mínimo substrato do objeto. Esse método de se compor o contexto não tem nada de errado em si mesmo, a encrenca se dá quando escolhemos e determinamos apenas uma fração para formar inteiros deformados. Essa edição, muitas vezes, nos faz chapar todas as sutilezas como intensidade e extensão, no tempo e no espaço, como se tudo estivesse na mesma proporção.

Um evento, dado ou informação numa dimensão primitiva, em março de 2020 divulgada no sertão da ciência subordinada a todo tipo fundamentalismo ideológico é usado para comparar com uma avaliação sofisticada, complexa e multifacetada produzida em laboratórios teóricos submetidos a todos rigores metodológicos. Faz-se um recorte, pode ser um post bobo, para ‘julgar’ um relatório ou estudo envolvendo o estado-da-arte em pesquisa científica. Pior, muitas vezes, aqueles ‘cientistas’ fundamentalistas usam a estrutura de apresentação de métodos para fazer parecer crível. Assim, basta chamar de científico um texto medíocre, simulacro de meta-análise, mas apenas colagem ginasial de ideias desconexas, que é divulgado numa revista desqualificada, para que ele pareça ganhar status para enfrentar teses elaboradas e amplamente testadas, corroboradas ou não. As cavernas ululam e apupam a sombra que ilumina sua miopia sistemática.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

BIDEN X trump: sobre planos e falácias

João Wagner Galuzio

Bolsonaro e Pazuello, vocês tinham até ontem, como referência, uma aberração que jamais leu um relatório de inteligência e, ou, reportes de estratégia internacional e bastante menos orientações científicas em geral e relativas à pandemia, em particular. Quase idiota, o primata chegou a sugerir a injeção intravenosa de desinfetantes, para 'curar' a doença. Diante do olhar estupefato dos que assistiam a cena, ratificou, "É sério, precisa ser estudado!" 

Disse por diversas vezes que tudo estava sob controle e que logo iria desaparecer como milagre. No final da sua campanha para se reeleger, gesticulava freneticamente movimentando a mão aberta de cima para baixo como se estivesse cortando algo, para indicar que tudo seria encerrado rapidamente. Nunca apresentou uma ação ou critério, objetivos, que justificassem suas afirmações. Tudo se resumia a predicados tão retumbantes quanto prepotentes, sobre qualquer tema, encerrava: terrific, tremendous, superb, fantastic, excellent, gorgeous etc. Fato zero, fake 100. 


Desde ontem, "inauguration day" um novo presidente se instalou na Casa Branca, e no dia seguinte de sua posse,  apresentou agora para toda a nação, um arquivo em pdf que pode ser baixado no site https://whitehouse.gov  um Plano Estratégico (200 páginas) com os 7 objetivos a serem enfrentados, a saber: 

Meta 1: Restaurar a confiança do povo americano;

Meta 2: Montar uma campanha de vacinação segura, eficaz e abrangente;

Meta 3: Mitigar a propagação expandindo o mascaramento, testes, tratamento, dados, força de trabalho e padrões claros de saúde pública.

Meta 4: Expandir imediatamente o alívio de emergência e exercer a Defesa Lei de Produção.

Meta 5: Reabrir escolas, empresas e viagens com segurança, enquanto protege os trabalhadores.

Meta 6: Proteger aqueles que estão em maior risco e promover a equidade, inclusive racial, linhas étnicas e rurais / urbanas.

Meta 7: Restaurar a liderança dos EUA globalmente e criar uma melhor preparação para ameaças futuras.

Note-se que no melhor estilo de gestão organizacional em alto nível, a última meta é, ao mesmo tempo, uma eventual primeira meta para potencial e provável crise futura. 

Então Srs. Jair e Eduardo, quando no futuro quiserem dizer de algo parecido com um plano.... considerem o Sr. Biden como referência e esqueçam aquela ameba  laranja.

Ficar dizendo que há um plano e, muito pior, dizer que o plano foi lançado sem que ninguém tivesse tido o mais tênue vislumbre do que fosse isso, com indicações risíveis como: "Vai começar no dia D, na hora H" é piada de muito mau gosto. Essa afirmação só encontra comparação na máxima da 'presidenta': "Nós não temos uma meta, mas quando alcançarmos a meta, vamos dobrar a meta."

Também não é divertido esse diversionismo de lançar balões de ensaio para confundir a nação, diante de vossa inação. Não são as forças armadas que determinam se prevalece a ditadura ou a democracia ou, a suma bravata de seu procurador geral travestido de advogado criminalista, ensaiando sobre a antessala do estado de defesa.

Em vez de factoides, considere a hipótese de trabalhar, tenho certeza de que encontrará funcionários de carreira capazes de elaborar um rascunho responsável e pragmático para, minimamente, os orientar e, quem sabe, tenham coragem e competência para seguir e compartilhar com todos. 




https://www.whitehouse.gov/wp-content/uploads/2021/01/National-Strategy-for-the-COVID-19-Response-and-Pandemic-Preparedness.pdf


Decisão do STF sobre MP 926 de 2020.


João Wagner Galuzio

STF reconhece competência concorrente de estados, DF, municípios e União no combate à Covid-19.


Para todos ingênuos inocentes uteis que repercutem uma imagem (Figura 1) de uma nota boçal de um blog afetado que sugere, como argumento, que o STF teria proibido alguma coisa ao senhor tenente, reformado capitão, eleito presidente. Seguem algumas considerações para todos nós que reconhecemos a inoperância, relativa em alguns casos e a incúria em muitos outros, do executivo federal.


Figura 1 - Relativamente a isolamento e quarentena.

Não sou advogado, mas é necessário o entendimento mínimo do vocabulário jurídico. Analisar a decisão com a interpretação de texto própria de um leigo poderá resultar confusão.

Da decisão do STF.

As disposições [na MP 926/2020] não afastam a competência concorrente nem a tomada de providências normativas e administrativas pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios.

"Para deixar claro que a União pode legislar sobre o tema, mas que o exercício desta competência deve sempre RESGUARDAR a autonomia dos demais entes." Deste modo, o governo federal pode (muito,  não proíbe nada), mas deve respeitar as competências dos outros entes, em particular as questões sanitárias de cada local.

O governo federal pretendia concentrar exclusivamente todo o poder de polícia sanitária [quando quis] interferir no regime de cooperação entre os entes federativos, pois confiava (exclusivamente) à União as prerrogativas de isolamento, quarentena, interdição de locomoção, de serviços públicos e atividades essenciais e de circulação.

A decisão do STF trata apenas dessa polícia sanitária (de novo, isolamento, interdição de locomoção, de serviços públicos e atividades essenciais e de circulação). Não trata e, portanto, NÃO PROÍBE o Governo Federal de exercer suas atribuições de gestão, coordenação e execução de planos, orçamentos para enfrentamento da pandemia.

Tanto não proíbe nada que o governo:

1.      Decidiu criar um comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da Covid-19, coordenado pela Casa Civil (surpreende que não pelo ministério da Saúde);

2.      Decidiu e forneceu equipamentos necessários como ventiladores, leitos de UTI e testes e outros (sem controle houve denuncias e inquéritos de superfaturamento);

3.      Decidiu e patrocinou o auxílio emergencial para milhões (sem controle houve muitas fraudes) e políticos, empresários e até funcionários públicos teriam se beneficiado;

4.      Decidiu prescrever tratamento precoce quando já havia consenso sobre a sua ineficácia;

5.      Decidiu desqualificar as orientações médico-científicas sobre distanciamento, higiene e uso de máscaras (tema tratado pelo STF);

6.      Decidiu sabotar ações dos outros entes da federação patrocinando aglomerações em manifestações irresponsáveis (desobediência civil);

7.      Decidiu contratar e fazer produzir milhões de comprimidos de cloroquina (improbidade);

8.      Decidiu por ignorar, adiar ou retardar a logística de aquisição de insumos (agulhas e seringas) sabidamente necessários desde julho de 2020;

9.      Decidiu não entender e não atender (em julho 2020) representantes de laboratórios fabricantes de vacina enquanto o mundo já reservava várias opções em prazos e quantidades (criando dificuldades para talvez ‘vender’ alguma facilidade);

10.  Decidiu constranger a Secretaria de Saúde de Manaus, em 11 de janeiro 2021, fornecendo 120 mil comprimidos de cloroquina para que, em visitas do ministro às UBS de Manaus, fosse “difundido e adotado o tratamento precoce exigindo o uso quando, por outro lado, já era sabido o desabastecimento de oxigênio; O ofício, prova substancial de crime de responsabilidade, ressalta “a comprovação científica” da medicação, “tornando dessa forma, inadmissível, diante da gravidade da situação de saúde em Manaus a não adoção da referida orientação.” Simplificando, o ministro não foi a Manaus para planejar nada, mas apenas para aplicar o golpe do falso tratamento precoce que, uma semana depois, negou peremptoriamente jamais haver sugerido (Figura 2) - Ofício nº 5/2021/SGTES/GAB/SGTES/MS;

Figura 2 - Tratamento precoce MS

11.  Decidiu não fazer convênio que depois virou protocolo de intenção, para depois mentir (SQN) que todo o dinheiro da CoronaVac (a tantas vezes maldita pelo tenente) tinha tido origem no MS para, depois de não apresentar evidência de pagamento, declarar que o valor será pago a posteriori quando a totalidade das 100 milhões de doses, forem entregues mediante emissão de nota fiscal do Instituto Butantan ao Ministério da Saúde".

12.  Decidiu muito, demais, exageradamente tarde, "quase" considerar a urgência das vacinas e começou a tratar do assunto como uma adolescente deslumbrada. Escrevendo uma 'cartinha' fofa ao primeiro ministro indiano, quando três meses antes havia prejudicado severamente os interesses daquele país. “Vacinas vão chegar em poucos dias” dizia ao fazer o pagamento antecipado (Figura 3) de um contrato que deixa explícito "prazo de entrega em ATÉ 90 dias;"

Figura 3 - Prazo de entrega 90 dias.

13.  Decidiu "lançar" o  muito desconexo porque desconhecido, anacrônico porque tardio e inviável por não indicar ao menos o início do 'Plano Nacional de Imunização' da Covid19, sem data nem hora;

Essas são algumas das decisões acertadas e outras não, deste Governo Federal QUE PRETENDEU PROIBIR Estados, municípios e DF de conduzir ações de polícia sanitária como a adoção de etiqueta de higiene, o uso de máscaras, isolamento e quarentena, mas sob esse pretexto, eximiu-se de quaisquer irresponsabilidades suas. Como três em cada quatro adultos brasileiros têm relativo analfabetismo funcional e não entendem o básico do que estão lendo, se não apenas o ululante, muito menos entendem fundamentos de juridiquês. Limitação suficiente para que interpretem como seus mentores inúteis lhes adestram.

 



sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Carros e estádios ou processadores e vacinas?

                João Wagner Galuzio 

Prezado senhor ministro especialista em logística, sugiro que observe dois leigos civis sobre o assunto.

1. O governo da Índia promoveu dias atrás uma simulação da 'campanha de vacinação' para checar se quantidades, locais e profissionais envolvidos pudessem verificar o que pode ser melhorado. Fica a dica: é uma ferramenta elementar de administração, de nome PDCA. Com certeza muitos de seus recrutas conhecem...

2. O Sr Joe Biden, outro civil, tem preparada para assinatura no dia de sua posse uma edição da "Lei de Produção de Defesa" (como se em tempos de guerra estivessem) que estabelece que a "indústria americana deve adotar como prioridade a produção de seringas e agulhas"... algo semelhante como ocorreu na segunda guerra... a população entrava com matéria prima (latas e panelas) para todas empresas fabricantes de geladeiras e outras UDs fabricassem armas, tanques e aviões.   Aqui seringas e agulhas...

Fica a dica: vocês sequestraram a fé e o idealismo nacionalista de milhões, que tal usassem essa mobilização hein...

Por último e óbvio não vou lhes atribuir as políticas industriais, baseadas em subsídios para setores específicos da economia que, primeiro a linha branca e agora os automóveis, se revelaram temerária. 

Igualmente vou apenas lembrar a bobagem que foi desperdiçar bilhões de reais num programa pseudo esportivo, quase faraônico, para receber o futebol e os jogos olímpicos de verão, em prejuízo de hospitais ou centros de saúde.

De outro lado vou lhes oferecer uma alternativa para calarem a boca de líderes europeus que 'pagam' de ambientalistas. É  claro que aqueles não são ingênuos e pretendem bastante a proteção de seus agricultores, muitos com sua ineficiência subsidiada.

Querem mesmo demonstrar alguma inteligência estratégica? 

Invistam mais em parques tecnológicos e na produção de processadores de alta performance e menos em veículos, patrocinem nossos empresários e empreendedores no desenvolvimento e  instalação de indústrias produtoras de vacinas. Temos know how, demanda e clientes vizinhos e, a leste, além oceânicos.
Parece sutil, mas não é, que entre os BRICS... Os 'RIC' sejam os grandes produtores de vacinas e nós, as vacas.  Agricultura e pecuaria merecem toda atenção seja a soja ou vocês vacas, mas o mundo competitivo joga num nível muitas vezes superior. 

É fácil chegar junto deles (#SQN)... Reformas: política, administrativa, tributária. Como? Uai, vejam sua proposta de programa de governo, se encontrarem.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

COVID 19 - Coronavac 2020 - URGENTE


João Wagner Galuzio

Agora em 12 de janeiro de 2021, soubemos,  oficialmente, que a eficácia global da vacina desenvolvida pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan no Brasil e mais outros experimentos na Turquia e Indonésia, obteve como resultado de eficácia global 50,38%. 

O meu grifo em “oficialmente” se justifica por sabermos, desde meados de dezembro, que esses eram os números, não houve novidade ou ineditismo[1]. De fato, esse anúncio só foi adiado em virtude dos resultados diferentes obtidos na Turquia que apontou 91,25% de eficácia para a mesma vacina. Essa variação tão grande fez o laboratório Sinovac solicitar prazo adicional para verificar e, retificar ou ratificar os números, eles finalmente ratificaram os números do nosso Instituto Butantan.

Só isso, para mim, já seria suficiente para atestar a coerência e confiabilidade dos protocolos adotados pelo nosso instituto. Escândalo talvez pudesse se instalar onde o resultado foi muito superior, afinal, os noventa e um por cento se confirmaram ou não?

Duas hipóteses principais remanescem: A) Os resultados são diferentes mesmo, em boa parte em virtude do perfil dos voluntários que participaram dos estudos ou; B) Talvez os resultados por lá que devessem ser auditados, sem entrar no mérito de eventual influência política do autoritário poder central que ali prevalece.

Nem vou me estender com o presidente-tenente-jacaré, certo que estou de que sua fingida ignorância atende a um único objetivo, manter o adestramento de seus lagartinhos. Imputável, ele será devidamente responsabilizado pela história como desqualificado que é para assumir responsabilidades à altura de seu cargo.

Por outro lado, me aborreço com a manipulação frouxa da comunicação trouxa que fez uso marqueteiro da ciência séria. Tivéssemos realizado os resultados naquele momento e formalizado desde lá o uso emergencial, poderíamos estar sendo vacinados desde o natal passado mantendo-nos como referência mundial de imunização. Não faltava urgência e nos sobrava experiência para iniciarmos a vacinação.

O que dizer de políticos e eleitores ingênuos que “celebram” o suicídio de um voluntário durante a fase de testes e fazem estardalhaço com estatísticas que não entendem? Não somassem mais de 200 mil fatalidades seriam apenas anedota, como os números são implacáveis, excederam todas as quotas. Esse jacaré é coerente ao menos na sandice, assim como faz sua cruel e indefensável apologia à tortura, espreme os números até que confessem o que lhe convém, assim como ele quer entender.

50 ou, 78 ou, 90% não são expressões de uma competição, mas os parâmetros necessários para se definir estratégias para se implementar um Plano Nacional de Imunização – PNI, o dia D da hora H, ficou em 2020 e ninguém percebeu.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

2024: Liz Cheney x Kamala Harris



João Wagner Galuzio

Uma vez encerrada a opção de se invocar a 25 emenda, instituto pelo qual o vice-presidente Mike Pence poderia submeter uma moção de incapacidade do Donald, vai-se levar a plenário uma votação pelo impedimento desse mau perdedor covarde.

Muitos deputados republicanos já teriam manifestado disposição de votarem pelo impedimento, para condenar o autogolpe que o criminoso tentou impor à maior república bananeira do hemisfério norte.

Senso moral? Consciência cívica? Coerência constitucional? Não creio!

O que  provavelmente estamos assistindo talvez seja a partilha do legado trumpublicano. Parecem estar esquartejando os restos insepultos do que, outrora, teria sido um partido tão conservador quanto coeso.

Durante quatro anos, apesar de desmoralizados pelo mastodonte, assistiram em silêncio às suas obscenidades inconstitucionais, foram babando e lambendo o que sobrava da lavagem fétida de suas vociferações.

Indignados, aproveitaram a conveniência de um ogro fazer o serviço sujo para obterem pequenas vantagens e até realizar uma pauta de retrocesso ao século dezoito. Por isso agora não estou convencido desse despertar do lado ruim da força.

Observo especialmente a senhora Liz Cheney, que me parece ser o estandarte dessa manobra de reposicionamento para ocupar o vácuo, ou sucata, do partido republicano. 

Posso imaginar a senhora Cheney se antecipando aos eventos para se lançar candidata à presidência dos EUA em 2024, como alternativa à provável candidata democrata Kamala Harris. 

Será, já posso vislumbrar, um duelo de gigantes, duas mulheres com força, faixa etária semelhante e grande capacidade de envolvimento e agregação. Pudera eu saber quem vencerá, uma resposta de 1 bilhão de dólares.
 

A carta do compadre nhô Jair.



João Wagner Galuzio 

Afora as cordiais e protocolares saudações no início e os votos de alta estima e consideração no final, a missiva do inocente presidente é de um amadorismo próprio de vereador federal de baixo clero que ele sempre foi. Papelzinho de quem fez ou faz tráfico de influência barata para conseguir um jeitinho que, brasileiro conhece, talvez não o Primeiro-ministro da Índia. 

Seguem-se às saudações algumas informações que a imprensa e toda a nação brasileira busca a meses, o dia D para a hora H do nosso Programa Nacional de Imunização, mas que o indiano recebeu em primeiríssima mão. Esse dia e hora já passaram e nós nem fomos avisados, considerando que ele atesta que: 

“o governo brasileiro lançou o Programa Nacional de Imunização contra a Covid-19.” 

Foi lançado é? Não me recordo da solenidade oficial com pompa e circunstância, inclusive apresentando a primeira dose aplicada. Outra informação subliminar destaca a quantidade de vacinas que o já lançado plano tem em seu arsenal visto que o vereador federal travestido de Presidente informa que: 

“entre as vacinas selecionadas pelo governo brasileiro, encontram-se aquelas da [...] da AstraZeneca [...] também produzida pelo Serum Institute of India.” 

Dito desta forma faz parecer que, como o Reino Unido que tem sete vacinas contratadas, teríamos um elenco de vacinas aquisição. O idílico continua com sua cantilena implorando que: 

“muito apreciaria poder contar com os bons ofícios [...] para antecipar o fornecimento ao Brasil” 

Claro, simulando empatia, desde que não prejudique o programa indiano. Empatia que ele pouco demonstra com o povo brasileiro. O desespero, é claro, tem o único objetivo de tentar primeiro imunizar com a vacina indiana, tanto que ele vociferou a chinesa que agora ele comprou, depois de em outubro decretar que jamais faria isso e, desperdiçarmos 3 meses para angústia e ansidade de toda a nação.


Pronto, com o comprovante de pagamento antecipado efetuado, agora veremos se o compadrio dele irá mesmo resolver, pois embora o Itamaraty alegue esperar pelo recebimento ainda em janeiro, vemos na internet o fac-simile da operação de pagamento da aquisição, indicando que o prazo de entrega é previsto para 90 dias, ou seja, meados de abril de 2021. 

Não obstante o prazo para entrega indique a condição mediante recebimento do pagamento, vê-se que a justificativa para o pagamento antecipado tem em vista que “a mercadoria está pronta, aguardando pagamento para posterior embarque.” 

Apesar da absoluta inoperância dos ministérios envolvidos, Saúde e Relações Exteriores, apesar do fogo amigo do planalto central contra toda a nação, sabotando as campanhas de prevenção e a aversão federal à alternativa Butantan, decretada em outubro pelo medíocre vassalo “trumpublicano”... eu quero muito estar errado. Não desejo outra sorte para todos nós que somos vítimas dessa bizarrice terraplanista pseudo-pentecostal negacionista que se instalou em nossa capital federal. 

Oxalá, omulu e obaluauê, nos protejam de todas doenças contagiosas e que Ganesha ilumine esses políticos, para que Krishna nos mantenha vivos nesse mundão de Brahma e nos afaste da força destrutiva de Shiva e que o Todo poderoso, acima de tudo, no final, opere o milagre, 90 dias em nove. Amém.