Idealista e otimista, vou registrando minhas percepções, imperfeitas, mas sinceras. O registro de minhas considerações me proporciona uma oportunidade de manter a memória de minhas reflexões.
domingo, 16 de maio de 2021
Guerra fria civil no Brasil - Quem está vencendo?
sábado, 15 de maio de 2021
Terceira via: mais civismo e menos narcisismo.
sábado, 17 de abril de 2021
Não acredite na ciência, entenda-a! Fé é da natureza das religiões.
João Wagner Galuzio
Trocando uns dedos de prosa com
meu irmão José Roberto, tentávamos entender como que, considerando os argumentos
escabrosos e bizarros multiplicados todos os dias por negacionistas, pessoas inteligentes
e razoáveis, ainda resistem a acreditar na ciência no que se refere ao enfrentamento
da Covid-19. Neste instante, não me caiu uma ficha, mas um orelhão1 inteiro
despencou sobre mim. Percebi que estamos jogando o jogo dos fanáticos, dos
fundamentalistas, ou políticos, de quaisquer partidos, ou religiosos de qualquer
denominação. Os que são fanáticos odeiam
a razão e, obsessivos, vivem em constante exaltação. São estimulados pela paixão
ou afetados pelo medo, sempre irracionais.
Sem juízo de valor, crente como eu
sou penso que seja oportuno lembrar ou entender algumas sutilezas. Acreditar é a
manifestação da fé incondicional, da doce e mansa obediência a dogmas e
certezas inexplicáveis e aquele que acredita não busca o saber, a fé lhe é bastante
suficiente. A ciência ou, o conhecimento, muito diferente disso, não se sustenta
pela crença ou pela fé. Duvidar é a manifestação da humildade indispensável da mente
inquieta e sedenta por aprender. A certeza, estática e imutável, é a falência da
ciência, pois o próprio conhecimento é, essencialmente, dinâmico e movediço.
Não acredite na ciência, entenda-a!
Uma das estratégias para se impor
uma certeza é a interrupção constante da voz daqueles que desejem apresentar uma
hipótese alternativa. Não permitem que algum argumento diferente, mais ou menos
coerente, seja considerado. Nenhuma frase, por menor que seja, encontra
oportunidade de ser elaborada. O único modo em que os fanáticos operam, para
controlar a cena é o passional, deslocando seus noviços para o nível primitivo,
mantendo-os ora com medo, dizendo, por exemplo -“Nossa bandeira jamais será
vermelha” e, ou, como remédio para elevar a autoestima uma simulação de
patriotismo – “O Brasil acima de tudo...” Mais uma vez eu preciso ratificar: o fanatismo
não escolhe orientação política ou religiosa. Há fanáticos que acreditam serem
proprietários exclusivos da ética (autoestima) e odeiam a classe média
patrocinando o medo ou ódio das elites (sic).
Não faz sentido sugerirmos aos
fanáticos para que acreditem na ciência, seria como pedir que alguém, intrínseca
e radicalmente, subordinado a uma fantasia ou alegoria pudesse adotar a ciência
como se fora outra religião. Que
acreditem, com entusiasmo, no que quiserem, mas entendam que a ciência,
complexa e sutil, generosa e flexível, trabalha objetivamente no nível racional,
sem afetações. Impossível não extrapolar a carta de São Paulo aos Coríntios, em
seu décimo terceiro capítulo.
“O amor é paciente, é benfazejo; não é
invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso,
não é interesseiro, não se encoleriza e não se alegra com a injustiça, mas fica
alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo.”
Assim como o amor é a ciência. Sem
amor, a ciência se esvanece, mas com as suas virtudes é sensível, nunca
radical. Não funciona com ódio, nem medo, não se prevalece.
Extremistas, nacionalistas ou
populistas, como forma de manipulação, usam o sentimento de insegurança, de fragilidade
e de vitimização para semear o medo. Instalado o medo, se apresentam como
estandartes da autoestima virtuosa, necessidade de todos bons cidadãos que,
ingênuos, se identificam e repercutem menos como robôs, e mais como tratores, aqueles
rolo-compressores, com discurso imperador e imperativo. Xenófobos, para manterem sua
zona de conforto, usam da velocidade e da intensidade de seus ataques para,
invertendo o sentido e significado dos diálogos calar os que pensam diferente.
Não é improvável que você conheça
a frase apócrifa “Sempre acuse seus adversários do que é verdadeiro sobre você
mesmo.” Algumas vezes atribuída a Lênin -sem evidências- esta sentença é
bastante utilizada pela direita para denunciar eventual desvio de caráter da
esquerda. De novo, de autor desconhecido, a frase parece se aplicar aos dois
extremos políticos que têm, como traço comum, o mau-caratismo. Parece ser o
modus operandi de todo aquele que pretende semear ódio e cizânia. Steve Bannon,
por exemplo, ensina estratégia semelhante quando orienta algo como: ‘Ocupe a
mídia e domine a pauta, nem que seja necessário dizer absurdos, mas não dê
espaço para o discernimento ou razão.’
1 Para os muito jovens, ‘orelhão’ era um equipamento telefônico público, disponível nas ruas, cujo formato se
assemelhava vagamente ao nosso pavilhão auricular. Como se fosse uma cabine
telefônica, onde usávamos fichas que, por vezes, se não ‘caiam’ não completavam
a ligação.
segunda-feira, 29 de março de 2021
Visão sistêmica e miopia sistemática - uma questão de ótica!
João Wagner Galuzio
Certa vez, depois de eu descrever
a importância da visão sistêmica como competência diferencial para o exercício
cidadão e profissional, um aluno me trouxe, na aula seguinte, seu currículo onde
já havia adicionado essa virtude entre suas qualificações. Expliquei, por
óbvio, que no currículo devemos apresentar tudo aquilo que podemos demonstrar
suficiência ou experiência. Propus um desafio para que pudesse demonstrar essa
capacidade e lhe pedi que fizesse uma análise da, então recente, crise
financeira internacional decorrente dos eventos relativos aos títulos sub prime
que devastou a economia por todo o planeta no final da primeira década do
século 21. Ligeiro, ele respondeu: “É uma crise, é financeira e é internacional!”
Naturalmente tive oportunidade de
orientar o noviço sobre como parecia singela sua resposta e apresentei alguns
elementos que, no meu também modesto entendimento, pareciam ser ingredientes de
uma visão sistêmica como as habilidades de observar e perceber a dinâmica, a velocidade
e a intensidade ao longo do tempo e, simultaneamente, reconhecer a extensão e a
repercussão no espaço ou ambiente relativo aos eventos intrínsecos a aquela
crise.
Apesar de 10 anos passados, penso
que cada vez mais seja necessário refletir nestes tempos em que redes sociais
se tornaram tribunais, muitos blogs pretendem ser agência de notícias e
indivíduos que, de cidadãos conscientes, se converteram em aglomerados
radicais, cujas opiniões são determinadas por algum tutor ou mecanismo virtual.
Como isso pode acontecer? Eu, cândido e poliano, vou tripudiar uma hipótese,
primária, mas plausível.
Para contextualizar vou buscar
algumas referências ancestrais relativas ao desenvolvimento de nosso jeito homo
sapiens de entender o mundo. O nosso córtex pré-frontal é um dos componentes
mais sofisticados do nosso cérebro e capaz de observar, comparar, associar,
elaborar e processar raciocínios complexos. No entanto, esse processador fenomenal
talvez esteja perdendo protagonismo para os nossos cérebros límbico e reptiliano,
que alternam soluções excludentes entre si: bater ou correr, lutar ou fugir,
enfrentar ou se esconder. Parece que nunca foi tão fácil (e delicioso) criticar
ou, como se convencionou dizer mais recentemente, ‘cancelar’ o outro. Não concordamos
com o que nem entendemos e então criticamos ou, se impotentes para criticar,
tratamos como descartável e desprezível a opinião do outro, simplesmente lhe
atribuindo com sarcasmo qualquer predicado ou adjetivo infeliz.
Otimista compulsivo, eu pensava
que este retrocesso fosse de apenas algumas poucas décadas, mas agora percebo
que o gatilho da polarização nos transporta, na melhor das hipóteses, à idade
média e, na pior das hipóteses, à idade da pedra lascada. A conveniência da
mentalidade medieval nos trazia conforto quando enxergávamos o sol em torno da
terra, dogma que parecia óbvio no tempo das trevas. Antes, como nômades
sapiens, temíamos a luz além das cavernas, valei-me Platão. Esse enxergava
muito! Essa polarização atual patrocina o linchamento dos que se alternam e se
altercam em cavernas vizinhas, mas opostas.
O que é sombra para um é luz para
o outro e vice versa. Ofende a todos os entrevados atrever-se tentar enxergar
além de sombras no cafofo da caverna, zona de conforto de cérebros cujos
neurônios parecem satisfeitos encharcados de dopamina, uma lente química para
recompensar nossas certezas. O método de linchamento varia conforme o buraco em
que se meteram. Para os ermitões à direita, pensamento crítico faz do iluminado
um ‘isentão’ ou omisso, para os que se acham progressistas na caverna à
esquerda, ter comportamento ou consciência diferente, o torna um burguês, classe
média. Para os que estão em cavernas, não interessa a razão, apenas a
desmoralização. Para manterem a ordem unida uns, surdos, berram slogans e
gritos de guerra, enquanto do outro lado, alguns punhados gritam e repetem citações
como se decreto, certeza ou verdade absoluta fossem.
Hoje, para viver e crescer numa
sociedade complexa e dinâmica impõe-se, como elementar, a necessidade de se
perceber, observar e aprender os movimentos mais ou menos velozes e as tensas e
intensas mudanças ao logo do tempo; e, mais ou menos abrangentes e extensas no
espaço. Parâmetros elementares que representam a base da visão sistêmica. Se
não, de outro modo, míopes, vamos perceber e observar quaisquer fenômenos de um
jeito embaçado e, ou, editados e afetados por lentes distorcidas, provocando o
astigmatismo ideológico.
Perceber e observar fotos e
memes, alguns divertidos - é verdade-, outros ‘ingênuos’, para se entender as
engrenagens de como se dá a evolução política de uma sociedade, a relação entre
os poderes, as implicações jurídicas e as sutilezas culturais representa uma
sistemática miopia intelectual. Para ficar na metáfora oftalmológica é como
ignorar um grave escotoma, para enxergarmos apenas o que podemos ou queremos. Um
escotoma pode ser natural, o ponto cego lateral de nossa vista ou, se patológico,
é a perda, menor ou maior, de parte do campo visual resultado de uma lesão na
retina. Por analogia, também se diz escotoma a nossa fixação em um único e
estreito foco na observação ou análise de qualquer evento, versus um universo
de detalhes em perspectiva. Enxergamos apenas o paradigma mais confortável como
arma para lutar ou ferramenta para fugir do que não sabemos.
Negação, distorção e
generalização são algumas das lentes mais fáceis para fazer nossa miopia
parecer ‘supervisão’ sistêmica. Prevalece o domínio do método indutivo para se
entender o todo a partir de algum mínimo substrato do objeto. Esse método de se
compor o contexto não tem nada de errado em si mesmo, a encrenca se dá quando
escolhemos e determinamos apenas uma fração para formar inteiros deformados.
Essa edição, muitas vezes, nos faz chapar todas as sutilezas como intensidade e
extensão, no tempo e no espaço, como se tudo estivesse na mesma proporção.
Um evento, dado ou informação
numa dimensão primitiva, em março de 2020 divulgada no sertão da ciência subordinada
a todo tipo fundamentalismo ideológico é usado para comparar com uma avaliação sofisticada,
complexa e multifacetada produzida em laboratórios teóricos submetidos a todos
rigores metodológicos. Faz-se um recorte, pode ser um post bobo, para ‘julgar’
um relatório ou estudo envolvendo o estado-da-arte em pesquisa científica.
Pior, muitas vezes, aqueles ‘cientistas’ fundamentalistas usam a estrutura de
apresentação de métodos para fazer parecer crível. Assim, basta chamar de
científico um texto medíocre, simulacro de meta-análise, mas apenas colagem
ginasial de ideias desconexas, que é divulgado numa revista desqualificada,
para que ele pareça ganhar status para enfrentar teses elaboradas e amplamente testadas,
corroboradas ou não. As cavernas ululam e apupam a sombra que ilumina sua
miopia sistemática.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
BIDEN X trump: sobre planos e falácias
João Wagner Galuzio
Bolsonaro e Pazuello, vocês tinham até ontem, como referência, uma aberração que jamais leu um relatório de inteligência e, ou, reportes de estratégia internacional e bastante menos orientações científicas em geral e relativas à pandemia, em particular. Quase idiota, o primata chegou a sugerir a injeção intravenosa de desinfetantes, para 'curar' a doença. Diante do olhar estupefato dos que assistiam a cena, ratificou, "É sério, precisa ser estudado!"
Disse por diversas vezes que tudo estava sob controle e que logo iria desaparecer como milagre. No final da sua campanha para se reeleger, gesticulava freneticamente movimentando a mão aberta de cima para baixo como se estivesse cortando algo, para indicar que tudo seria encerrado rapidamente. Nunca apresentou uma ação ou critério, objetivos, que justificassem suas afirmações. Tudo se resumia a predicados tão retumbantes quanto prepotentes, sobre qualquer tema, encerrava: terrific, tremendous, superb, fantastic, excellent, gorgeous etc. Fato zero, fake 100.
Desde ontem, "inauguration day" um novo presidente se instalou na Casa Branca, e no dia seguinte de sua posse, apresentou agora para toda a nação, um arquivo em pdf que pode ser baixado no site https://whitehouse.gov um Plano Estratégico (200 páginas) com os 7 objetivos a serem enfrentados, a saber:
Meta 1: Restaurar a confiança do povo americano;
Meta 2: Montar uma campanha de vacinação segura, eficaz e abrangente;
Meta 3: Mitigar a propagação expandindo o mascaramento, testes, tratamento, dados, força de trabalho e padrões claros de saúde pública.
Meta 4: Expandir imediatamente o alívio de emergência e exercer a Defesa Lei de Produção.
Meta 5: Reabrir escolas, empresas e viagens com segurança, enquanto protege os trabalhadores.
Meta 6: Proteger aqueles que estão em maior risco e promover a equidade, inclusive racial, linhas étnicas e rurais / urbanas.
Meta 7: Restaurar a liderança dos EUA globalmente e criar uma melhor preparação para ameaças futuras.
Note-se que no melhor estilo de gestão organizacional em alto nível, a última meta é, ao mesmo tempo, uma eventual primeira meta para potencial e provável crise futura.
Então Srs. Jair e Eduardo, quando no futuro quiserem dizer de algo parecido com um plano.... considerem o Sr. Biden como referência e esqueçam aquela ameba laranja.
Ficar dizendo que há um plano e, muito pior, dizer que o plano foi lançado sem que ninguém tivesse tido o mais tênue vislumbre do que fosse isso, com indicações risíveis como: "Vai começar no dia D, na hora H" é piada de muito mau gosto. Essa afirmação só encontra comparação na máxima da 'presidenta': "Nós não temos uma meta, mas quando alcançarmos a meta, vamos dobrar a meta."
Também não é divertido esse diversionismo de lançar balões de ensaio para confundir a nação, diante de vossa inação. Não são as forças armadas que determinam se prevalece a ditadura ou a democracia ou, a suma bravata de seu procurador geral travestido de advogado criminalista, ensaiando sobre a antessala do estado de defesa.
Em vez de factoides, considere a hipótese de trabalhar, tenho certeza de que encontrará funcionários de carreira capazes de elaborar um rascunho responsável e pragmático para, minimamente, os orientar e, quem sabe, tenham coragem e competência para seguir e compartilhar com todos.
Decisão do STF sobre MP 926 de 2020.
João Wagner Galuzio
STF reconhece competência concorrente de
estados, DF, municípios e União no combate à Covid-19.
Para todos ingênuos inocentes
uteis que repercutem uma imagem (Figura 1) de uma nota boçal de um blog afetado
que sugere, como argumento, que o STF teria proibido alguma coisa ao senhor
tenente, reformado capitão, eleito presidente. Seguem algumas considerações para
todos nós que reconhecemos a inoperância, relativa em alguns casos e a incúria
em muitos outros, do executivo federal.
Figura 1 - Relativamente a isolamento e quarentena.
Não sou advogado, mas é necessário o entendimento mínimo do vocabulário jurídico. Analisar a decisão com a interpretação de texto própria de um leigo poderá resultar confusão.
Da decisão do STF.
As
disposições [na MP 926/2020] não afastam a competência concorrente nem a tomada
de providências normativas e administrativas pelos estados, pelo Distrito
Federal e pelos municípios.
"Para
deixar claro que a União pode legislar
sobre o tema, mas que o exercício desta competência deve sempre RESGUARDAR a autonomia dos demais entes." Deste
modo, o governo federal pode (muito, não proíbe nada), mas deve respeitar
as competências dos outros entes, em particular as questões sanitárias de cada
local.
O
governo federal pretendia concentrar
exclusivamente todo o poder de polícia sanitária [quando quis] interferir
no regime de cooperação entre os entes federativos, pois confiava
(exclusivamente) à União as prerrogativas de isolamento, quarentena, interdição
de locomoção, de serviços públicos e atividades essenciais e de circulação.
A
decisão do STF trata apenas dessa polícia sanitária (de novo, isolamento,
interdição de locomoção, de serviços públicos e atividades essenciais e de
circulação). Não trata e, portanto, NÃO
PROÍBE o Governo Federal de exercer suas atribuições de gestão, coordenação
e execução de planos, orçamentos para enfrentamento da pandemia.
Tanto
não proíbe nada que o governo:
1.
Decidiu
criar um comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos da
Covid-19, coordenado pela Casa Civil (surpreende que não pelo ministério da
Saúde);
2.
Decidiu e
forneceu equipamentos necessários como ventiladores, leitos de UTI e testes e outros
(sem controle houve denuncias e inquéritos de superfaturamento);
3.
Decidiu
e
patrocinou o auxílio emergencial para milhões (sem controle houve muitas fraudes)
e políticos, empresários e até funcionários públicos teriam se beneficiado;
4.
Decidiu prescrever
tratamento precoce quando já havia consenso sobre a sua ineficácia;
5.
Decidiu desqualificar
as orientações médico-científicas sobre distanciamento, higiene e uso de
máscaras (tema tratado pelo STF);
6.
Decidiu
sabotar
ações dos outros entes da federação patrocinando aglomerações em manifestações
irresponsáveis (desobediência civil);
7.
Decidiu
contratar
e fazer produzir milhões de comprimidos de cloroquina (improbidade);
8.
Decidiu
por
ignorar, adiar ou retardar a logística de aquisição de insumos (agulhas e
seringas) sabidamente necessários desde julho de 2020;
9.
Decidiu
não
entender e não atender (em julho 2020) representantes de laboratórios
fabricantes de vacina enquanto o mundo já reservava várias opções em prazos e
quantidades (criando dificuldades para talvez ‘vender’ alguma facilidade);
10. Decidiu constranger
a Secretaria de Saúde de Manaus, em 11 de janeiro 2021, fornecendo 120 mil
comprimidos de cloroquina para que, em visitas do ministro às UBS de Manaus, fosse
“difundido e adotado o tratamento
precoce exigindo o uso quando, por outro lado, já era sabido o desabastecimento de oxigênio; O ofício, prova
substancial de crime de responsabilidade, ressalta “a comprovação científica” da medicação, “tornando dessa forma, inadmissível, diante da gravidade da
situação de saúde em Manaus a não adoção
da referida orientação.” Simplificando, o ministro não foi a Manaus para
planejar nada, mas apenas para aplicar o golpe do falso tratamento precoce que,
uma semana depois, negou peremptoriamente jamais haver sugerido (Figura 2) - Ofício
nº 5/2021/SGTES/GAB/SGTES/MS;
Figura 2 - Tratamento precoce MS
11. Decidiu não
fazer convênio que depois virou protocolo de intenção, para depois mentir (SQN)
que todo o dinheiro da CoronaVac (a
tantas vezes maldita pelo tenente) tinha
tido origem no MS para, depois de não
apresentar evidência de pagamento, declarar que o valor será pago a posteriori quando a totalidade das 100 milhões
de doses, forem entregues mediante emissão de nota fiscal do Instituto Butantan
ao Ministério da Saúde".
12. Decidiu muito,
demais, exageradamente tarde, "quase" considerar a urgência das
vacinas e começou a tratar do assunto como uma adolescente deslumbrada.
Escrevendo uma 'cartinha' fofa ao primeiro ministro indiano, quando três meses
antes havia prejudicado severamente os interesses daquele país. “Vacinas vão
chegar em poucos dias” dizia ao fazer o pagamento antecipado (Figura 3) de um
contrato que deixa explícito "prazo
de entrega em ATÉ 90 dias;"
Figura 3 - Prazo de entrega 90 dias.
13. Decidiu "lançar"
o muito desconexo porque desconhecido, anacrônico porque tardio e
inviável por não indicar ao menos o início do 'Plano Nacional de Imunização' da
Covid19, sem data nem hora;
Essas
são algumas das decisões acertadas e outras não, deste Governo Federal QUE PRETENDEU PROIBIR
Estados, municípios e DF de conduzir ações de polícia sanitária como a adoção
de etiqueta de higiene, o uso de máscaras, isolamento e quarentena, mas sob
esse pretexto, eximiu-se de quaisquer irresponsabilidades suas. Como três em
cada quatro adultos brasileiros têm relativo analfabetismo funcional e não
entendem o básico do que estão lendo, se não apenas o ululante, muito menos
entendem fundamentos de juridiquês. Limitação suficiente para que interpretem
como seus mentores inúteis lhes adestram.


