segunda-feira, 20 de março de 2017

Brasilia, Braziland ou Brasilistão?

João Wagner Galuzio
Escrevedor e Cantador

BRASILIA, BRAZILAND OU BRASILISTÃO?

O bicho 'sapiens' é um mamífero gregário por natureza, desde quando vivíamos em bandos nas árvores, há milhões de anos e, em tribos e clãs desde umas poucas centenas de milhares de anos. Somos e nos tornamos todos mais viáveis, quanto mais e melhor soubermos viver bem integrados uns com os outros.
A evolução humana experimenta e alterna momentos de franca evolução, muitas vezes em função do ambiente, mais ou menos adverso e hostil, que exige radical adaptação, em séries de mudanças que levam a uma terminal revolução. Ou muda ou nada.

Ah, eu sei que sou dramático, mas não sou exagerado. Se as mudanças são inerentes e inexoráveis ao nosso desenvolvimento humano e marcam o compasso de nossa evolução, mudanças muito intensas e bastantes vezes mais frequentes e aceleradas, por vezes 'atravessam o samba' num sincopado que pode até levar à fibrilação do nosso frágil tecido social ou nacional.

Vivemos uma revolução sócio-econômica-filosófica-cultural-etcetera-e-tal, em grande parte estimulada pela concomitante revolução tecnológica. Inovações técnicas e metodológicas vão à frente num andamento prestíssimo [andamento veloz], enquanto nossos comportamentos e costumes seguem 'larghissimo' [andamento muuuuito lento (sic)]. Uma das consequências disso é uma confusão moral que não poupa nem mesmo algumas de nossas mentes mais preparadas que, inteligentes, mas cartesianas, sucumbem a esse hiato que não é essencialmente racional, mas passional.
Resultado dessa confusão, nossos valores humanos, aqueles fundamentos que compõem, ao mesmo tempo, o alicerce e o horizonte de nossa gente, são vilipendiados, para não dizer massacrados. Numa fase anterior, já experimentávamos o que se convencionou chamar de 'inversão de valores' que, já no Século XIX Ruy Barbosa denunciava:

“De tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a rir-se da honra, desanimar-se de justiça e ter vergonha de ser honesto. ”

Neste início de Século XXI, tantas redes sociais virtuais, efêmeras e superficiais, vão se  enroscando até quase rasgar a complexa malha que forma uma nação, excluindo as diferenças, linhas diversas que deveriam abrigar. Parece que vamos involuindo a um nível em que pouco se percebe a inversão, pois parecem extintos os valores. Conectados, mas desintegrados, somos indivíduos que enxergamos, reconhecemos e valorizamos cada vez mais nossos próprios e exclusivos valores individuais. Vemos a nação se esmorecer em grupos, comunidades ou corporações que, ou degringolam em movimentos sociais 'orwellianos' ou milícias xenófobas, que se reduzem a 'coletivos', expressão que me parece bem adequada aos juntamentos de frações de interesses que buscam uma conquista particular em "flash mobs" insanos.

Todos os povos, em todo planeta, enfrentam ou já enfrentaram essas contradições, em maior ou menor grau, mas no Brasil estamos às vésperas de rasgar o manto da consciência nacional, o que poderá nos impor uma fatura impagável e implacável. Devemos, e não podemos tardar, decidir nosso destino, o que desejamos para os nossos descendentes para os séculos que virão. Qual tradição iremos adotar para realizar o nosso 'Brasilia'? Assim mesmo, masculino, sem acento, em latim: Brasil.

Na tradição da cultura anglo-saxã, 'land' é o sufixo utilizado para designar a terra ou o lugar próprio de um clã ou de uma tribo. England ou, ‘Ingla-terra’, é o território do 'anglos' ou, ingleses. Na Ásia, 'istão' é o equivalente sufixo nos idiomas daquela região, para identificar a condição daquelas etnias 'que ficam ou se estabelecem' num determinado território. Por isso, vemos lugares próprios dos que são curdos, dos que são afegãos etc. denominados, respectivamente, Curdistão, Afeganistão, entre outros.
O léxico romano também destaca um sufixo [-ia] para indicar as pessoas de um lugar como pode-se encontrar tantos exemplos na forma original, em alguns casos como -'Germânia', 'Hispânia' e 'Brasília' ou, como em outros casos, o sufixo se mantém, veja-se Itália, Suécia, Índia, Rússia e Croácia, entre centenas.
Então obstino. Nós brasileiros, que país pretendemos para nossos filhos, qual é a nossa vocação? Que futuro iremos preparar? Enquanto muitas nações, que superaram a barbaridade e hoje demonstram algumas evidências de alto nível de civilidade seguem o modelo "land" exatamente por saber valorizar a diversidade, de outro lado, tristemente, muitos dos "istãos" parecem ter perdido a memória de um passado que, quando não glorioso, fora muito sofisticado e vão retornando, orgulhosos e determinados, quase à idade das cavernas, pois que em benefício de umas poucas etnias, vociferam o que parece diferente.

O nosso 'Brasilia' (ratifico: Brasil em latim) tem a oportunidade de escolher seu destino. Ou respeitamos e valorizamos as nossas instituições e diferenças ao jeito "Braziland" ou, se premiarmos as partes, as castas e as corporações de toda ordem política ou profissional, iremos definhar e depauperar num dramático e inviável "Brasilistão". A história é repleta de exemplos de nacionais que, desejando salvar interesses de grupos, uns versus os outros, todos perderam. Parece-me que não aprendemos. Eia pois, ouçamos a dolorosa sapiência histórica, outrossim, vibrantes sofreremos a deliciosa ignorância retórica.


Sim, a sabedoria da história, com azeda certeza é difícil, pois montar este “patchwork” social com matéria prima tão excêntrica, é encargo para aqueles que, maduros, transaram seus valores ancestrais e trançaram juntos seu futuro. A ignorância retórica é tão deliciosa quanto ardilosa. É doce e suave o caminho daqueles que se encantam (e se enganam) com a conversa gostosa dos que oferecem a seda lisa, fácil e suave, desde que, imaculada seja sua ‘pós-verdade’, neologismo eufêmico para estelionato intelectual, a falácia inefável. 

quinta-feira, 31 de março de 2016

Enquanto a banda passava o bando catava...

João Wagner Galuzio
Escrevedor e Cantador

Os argumentos que tenho visto para 'defender' os crimes hediondos patrocinados pelo histriônico ex-presidente-quase-ministro-futuro-detento que, querendo enaltecer as mulheres, as convoca à luta com toda a sua doçura e sutileza, vociferando "Cadê as mulher (sic) de grelo duro do partido?
Confesso que trabalhei muitos anos em fábrica, com rapazes que sabiam ser escatológicos, diziam e dizem cousas de fazer o capeta ficar vermelho (de vergonha), mas nunca havia testemunhado tal grosseira e, ratifico, a 'peãozada' que conheço jamais diria isso.
Até entendo que os militantes da 'Cosa Rossa' tenham o mesmo raciocínio do capo, que um dia já anistiara o Sir Ney do Maranhão, isentando-o de qualquer responsabilidade em nome de sua biografia, como se histórico pessoal pudesse ser diploma de imunidade ou, pior, de impunidade. 
Esta senhora que está Presidente do Brasil ao imitar o seu criador, quer sugerir que não pode ser responsabilizada pelas vultosas propinas, muitas vezes em dinheiro vivo, usadas em sua campanha de extorsão eleitoral, por desconhecimento. Argumento inocente próprio dos receptadores que desejam se eximir de culpa. Mais, penso talvez coubesse a tipificação de Receptação Qualificada como consta no parágrafo 1º do artigo 180 do Código Penal, como segue:


Receptação qualificada 

§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime: Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.

Atente-se à sutileza.... "COISA QUE DEVE SABER SER PRODUTO DE CRIME"

Indignado como milhões de brasileiros, vejo estarrecido defenderem o poeta genial em sua sina para não desmascarar sua musa, por isso me atrevi a parodiar A banda, como forma um pouco de protesto e um pouco como desabafo.  

O bando
                                                                                              Autor Zico Broaca
"Estou na boa na vida
O petrolão me pagou
Pra ver o bando pegar
Catando tudo sem dor.
A minha mente fingida,
Ignorou sem pudor.
Pra ver o bando pegar
Catando tudo sem dor.
O homem néscio que mamava, dinheiro ganhou.
O churrasqueiro que queria vantagens, levou.
E na morada onde estava a estrela,
Morou pra valer e sumir na malandragem.
O dedo em riste que exibia safado, bradou.
A Rose triste, sua dama de fachada, sobrou.
E a pelegada toda logo assaltou
Pra ver o bando pegar
Catando tudo sem dor.
A minha mente fingida,
Ignorou sem pudor.
Pra ver o bando pegar
Catando tudo sem dor.
O velhaco se formou no cangaço, levou.
Com mais um poço, pra subtrair,
Um pedaço do que jorrou.
A troça feia engasgou na goela [da gente]
Pensando que o bando se importava por ela
A tropa flerte se espalhou na esplanada e investiu
[com] a bolsa cheia, na surdina, partiu
A falsidade toda se aproveitou
Pra ver o bando pegar
Catando tudo sem dor.
Mas para o seu desencanto
O que era voto usou.
Tomaram o seu lugar
Usando seu voto inocente.
Um cadafalso insolente
Assaltou o planalto, a indecente.
Pra ver o bando pegar
Catando tudo sem dor."

Dos juristas e intelectuais.

João Wagner Galuzio
Escrevedor e Cantador.
Dudas arrependidos e Santanas presos, as estratégias para resolver o problema que o próprio governo federal criou, desde as fraudes envolvendo a responsabilidade fiscal em 2014 e 2015, envolvem fazer novas cooptações, novos 'acordos'... e, para abafar, esse governo (#sóquenão) convoca 'juristas' e 'intelectuais' para o defender. Nem vou me ocupar dos artistas (sem aspas), considerando que sejam mesmo profissionais, embora equivocados.

Agora, nunca vi tanto 'jurista' junto na minha vida. Fiquei intrigado acerca das qualidades distintas entre um advogado e um jurista, ou jurisconsulto. Uma consulta tosca aos dicionários me fez parecer que além do bacharelado, condição básica para que um graduado seja testado e aprovado pela sua Ordem, para que, Advogado possa exercer sua profissão honradamente. O jurista, além disso, deve ter especialização e elevado saber jurídico, suficientes para indicar e, ou, sugerir novas doutrinas, jurisprudências ou paradigmas.

Mas não é o que vejo... Muitos Advogados, por competentes que sejam, são logo elevados à condição de 'juristas' (assim, entre aspas mesmo).... Chega....

O mesmo se aplica ao 'intelectual'.... E, neste caso, a apresentação ligeira mais razoável encontrei está em: <http://www.dicio.com.br/intelectual/> cujas explicações são quase redundantes (inteligente, mental), mas também é apresentado como "Pessoa que expressa um grande interesse pelas coisas relacionadas com a cultura, a literatura, a música, as artes etc."

Então, adivinhe. Parece-me que muita boa gente apesar dessa atitude acima, talvez não seja exatamente inteligente. Vou escandalizar. Uma classificação objetiva para um indivíduo 'intelectual' talvez pudesse ser expressa em sua formação ou titulação. No entanto vejo muita gente muito simples, com formação básica, bastante razoável. Enquanto outros, doutos, premiados e festejados, vão esbanjando mediocridades....

Preciso citar Ariano Suassuna que, numa palestra a alunos dizia... "Quando vejo atribuírem o título de 'genial' para Chimbinha, que predicado poderei usar para Beethoven?"
Está faltando um bocado de humildade para muitos 'juristas' e 'intelectuais' se não, que predicados terei que atribuir a Ruy Barbosa ou para Hely Lopes Meirelles? Que adjetivos terei que criar para reconhecer Darcy Ribeiro ou para Cesar Lattes?


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A monarquia fake, pseudo parlamentarista do Brasil

João Wagner Galuzio
Escrevedor e Cantador

Em tempos de debate sobre reforma política, vez por outra surgem propostas de toda ordem. Algumas surgem, outras ressurgem e há aquelas que são regurgitadas tamanho histrionismo e anacronismo.

Recentemente durante procedimentos legislativos acerca da reforma política (sic) que estava em curso no Brasil, discutiu-se muito para mudar pouco, para pior. A classe política, mostrou-se desclassificada para interpretar e representar a vox populi, expressa em manifestações que se multiplicam desde 2013. Mudou-se muito para ficar o mesmo, clichê do poder hegemônico estabelecido. Enquanto uns discutiam a oportunidade do voto distrital, houve que encontrasse licença para deixar o sanatório e apresentar a monarquia como alternativa para o país. 

Imagino que tamanhas estultices sejam resultado, em parte, do presidencialismo esquizofrênico que frouxamente mantemos. Esquizofrênico porque, penso eu, podemos estar mais próximos do parlamentarismo do que do presidencialismo e, frouxo considerando que as regras do jogo são mudadas ao sabor da conveniência da facção em evidência. Democracias maduras, alcançam esta condição exatamente porque enfrentam os conflitos de interesse, as crises e surtos da adolescência civilizatória para construir o respeito aos interesses difusos e valorização da diversidade das vontades como alicerces da sociedade.

A construção da consciência nacional pode, e provavelmente assim fará, consumir muitas gerações, várias décadas de erros e acertos para alcançar a maioridade cidadã. O instituto da reeleição, por exemplo, não alcançou a puberdade em termos históricos. Em vez de aperfeiçoarmos o mecanismo de recondução do executivo para estimular o círculo virtuoso das boas administrações, não, fez-se terra arrasada sobre os alicerces que agora apenas brotavam feito sementes do solo ainda movediço das constantes mudanças econômicas e sociais entrementes. Em vez de orientarmos as mudanças em função das transformações inerentes à tenra idade, massacramos e mascaramos o desenvolvimento encharcados em nossos hormônios ideológicos e operamos plásticas horrendas em leis que estavam apenas precisando reconhecerem-se púberes e frágeis.

O nacionalismo, o cabresto burro e turrão, que tampa nossa visão à esquerda e à direita, querendo olhar para a frente só nos faz empacar para, em seguida, silentes obedecermos a voz sonsa e rouca do populismo falso generoso do político paternalista, que mantém a sua família com uma bolsa de cenouras guias e michas e obediente ao aboio súcio. Populista e bom peão, o populista usa sua verve para ditar o comportamento da indigente manada inteligente em redes sociais, seus currais eleitorais. Ao determinar o padrão de consciência (sic) o bom peão impõe sua rainha aos seus companheiros, gostem eles ou não e a todos terceiros, os  brasileiros. 

Mas a cabocla não é boa de montaria, aperta os arreios, estica as rédeas e desce o chicote sobre o lombo do pobre semovente. Resultado? Depois de fazer colapsar o arcabouço da responsabilidade fiscal em poucos meses e deixar cair as cortinas dessa tragédia grega destes trópicos, me parece claro que de fato a monarquia prevaleceu enquanto todos aplaudiam um bufão. Descobrimo-nos num regime monstrengo pseudo parlamentarista tentando salvar uma monarca fake de palavras espúrias querendo salvar o esbulho. 

Expert sem esperteza, a especialista repentista claudica, improvisa e gagueja frases desconexas enquanto o [povo] montado esperneia na arena das ruas e comunidades sem blasé, ou das gruas e até as beldades em suas varandas gourmet. Desorientada a manada mansa desabafa na praça, chamada Brasil. Houvesse silêncio talvez não estivéssemos tão atordoados e quem sabe pudéssemos permanecer atentos, como diria o poeta. Mas não, o silêncio é o espaço da reflexão ou da decepção. A prostração de perceber que, ilhada e mal amada, a rainha remanesce encastelada saudando tubérculos enquanto não estabelece metas, se não as deficitárias. 

Rainha de direito, se submete ao ministro, executivo de fato, o ambulante. Aloprado coringa, migrante que perambula entre pastas diversas pretendendo saber das coisas das tecnologias, da educação e da casa cidadã. Tudo, enquanto não se impõe como economista-chefe nacional. Como a nobre matriarca britânica, a nossa emoldura um personagem vazio, sem perfil. Troca peruca, anda de bicicleta, usa semióticas fardas sazonais, conforme a audiência. Veste tons neutros e cores pastéis para mostrar temperança em diversos ambientes diversos [assim mesmo] ou sanguíneas blusas hemorrágicas nos únicos ambientes exclusivos e controlados para bradar o seu nanico idealismo messiânico. 

Desde atrás de seu imenso bigode meio latino, meio lusitano, o nosso "primeiro ministro chefe" reclamante exerce o poder de fato trazendo consigo a força do movimento das hostes de seu exército social. Enquanto a expropriação do estado rendeu lucros e fundos, imperou a obediência.  Veremos agora, diante da iminência desta tempestade perfeita da corrupção santa e ideal que inventaram, novos arranjos e dissensões na esplanada convertida em politburo, quem vai "sumir" na foto. Se pretenderem saber as cabeças que restarão, talvez as encontrem perfiladas feito papagaios de piratas nas 'selfies' do bigodudo enquanto o barbudo se desvanece em photoshops pasadenos. O que talvez não tivessem entendido ainda os líderes bobolivarianos tupiniquins é que se nestas pradarias, perto ou abaixo do equador, poderiam gritar slogans miseráveis aos seus crentes, talvez sinceros bolivarianos que, antes de cinco anos deixarão a falácia besteirol, impedidos de sair do Brasil pela eficiente Interpol.

sábado, 18 de outubro de 2014

Holocausto e "demonicracia"

João Wagner Galuzio
Escrevedor e Cantador

Diante dessa vergonha em que se converteu essa campanha desonesta, baixa e sem pudor desse partido todo poderoso, é muito triste e difícil, como professor, orientar nossos jovens a valorizar a política como alternativa de construção de uma sociedade diversa e melhor para, agora e no futuro, escrever novas leis inteligentes e honestas (sim, hoje muitas leis são desumanas).

Já é lamentável quando esse partido faz terrorismo e ainda faz o tipo "vítima", manipulação sedutora que reverbera nas mentes ingênuas como um delicioso canto de sereia. Ainda mais é insuportável ver essa senhora que está presidente se submeter (ou impor) a sua agenda ideológica a toda nação.

A estratégia de poder desse partido tirano e ditador é imperial, baseada em mentiras, falácias, factoides, dissimulações, generalizações, dossiês, cretinização, ódio, distorções, negação, desconstrução e desinformação, cinismo, hipocrisia, demagogia, falsidade, manipulação, demonização ou satanização entre tantos outros vícios que constrangem a razão.

A sua propaganda não usa métodos de apresentação, esclarecimento e convencimento, se não apenas, métodos de catarse, conversão e hipnose como algumas seitas messiânicas. Seus seguidores se comportam menos como cidadãos e mais como fanáticos radicais ensandecidos.

Mais triste ainda é perceber que pessoas razoáveis são massacradas por essa lavanderia de neurônios e hoje como zumbis, com a sua boca seca vociferam mantras odiosos e rangem seus dentes enquanto simulam sorrisos vermelhos e nos tratam como inimigos com seus olhos vidrados. Para eles quem pensa diferente não é cidadão, é inimigo e deve ser desconstruído, eufemismo para holocausto.

Não se enganem o holocausto e outras práticas de extermínio começam assim. Primeiro quem é diferente é "apenas" rotulado, depois vem a divisão "nós contras eles", depois a segregação até o extermínio.

É surpreendente que assistam à destruição da democracia em nossos países vizinhos e, desespero, aclamam como se fosse uma benção ter os supermercados vazios, o direito de ir e vir controlado, a liberdade de dizer, falar e pensar censurada. É o fim da picada e, como são ardilosos, buscam seduzir principalmente nossa juventude idealista e reformadora, os envolvendo em redes e mídias eletrônicas. Usam as tecnologias modernas de informação para controlar e classificar a informação como lhes convém. Usam a tecnologia para promover o retrocesso.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Neutralidade engajada (sic).

João Wagner Galuzio
Escrevedor e Cantador

Então, eis que começam os debates neste segundo turno de eleições para Presidente da República e mais uma vez somos surpreendidos com a lógica apatetada e, ou, aparelhada de um naipe vermelhusco da militância política brasileira.

Um conjunto de partidos que se pretendem reformadores são exímios em produzir novos significados ao nosso vocabulário atendendo, por óbvio, à sua conveniência. É especialmente surpreendente que ainda se considerem intelectuais libertários e que comovam e arrastem multidões de fãs e súditos. Não precisaria mencionar as pérolas que já se tornaram clichê no noticiário [policial], mas vou obstinar.

Desde o escândalo envolvendo a organização criminosa que foi julgada recentemente pelo nosso Supremo Tribunal Federal, vimos pulular inúmeras interpretações cínicas e maliciosas acerca dos delitos cometidos e outras barbaridades semióticas:

‘Corrupção’ queriam fazer significar ‘recursos não-contabilizados’;
‘Estelionatários’ queriam fazer significar ‘aloprados’;
‘Presidenta’ uma horrenda corruptela para o particípio ativo de quem preside, ou Presidente;
‘Elite’ para representar qualquer indivíduo que tenha opinião diferente;
‘Planilha’ (vazando sigilo federal contra opositores) queriam fazer substituir ‘dossiê’, estes entre muitos outros. 

Agora, mais recentemente, o principal guru desta seita que reúne diversos partidos e movimentos (sic), conversou com ‘jornalistas internautas’ querendo dizer “blogueiros”. Apenas àqueles que lhe são mansos e lenientes. A claque, óbvio.

Ontem, oito de outubro, dia do nordestino, uma gaúcha muito da guerreira, dona de uma juba de fazer inveja à Medusa, melhorou o nosso idioma transcendendo o significado de ‘neutralidade’ quando indicou que seu partido iria adotar esta postura no segundo turno orientando seus correligionários a ‘não votarem’ num candidato específico.

Brilhante, conseguiram inventar a ‘neutralidade engajada’. Sensacional. Lógica? Ah! Fala sério, ó elite opulenta, és muito exigente. Um breve passeio pelo dicionário ensina que neutralidade ou 'qualidade de ser neutro', tem sua origem no latim “neuter” que, em essência, significa literalmente ‘nem um, nem outro’.


Eu posso entender, mas não reconhecer o uso espúrio. Para tentar salvar o argumento torto e enviesado que adotam, quando testados, atestam sua genial ignorância na forma de uma nova manipulação para emendar, grosseiramente seu raciocínio, ou a falta dele. 

Não deixem de ver os próximos capítulos, novas e inusitadas abominações virão por aí. Enquanto seus clones ululam, eles se eternizam. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Brava gente brasileira.


João Wagner Galuzio

Nós todos formamos mesmo uma nação incrível. O Brasil é um país gigante em tamanho e em cultura. Como professor, tive a oportunidade de assistir a uma apresentação de um muito ilustre professor e consultor, festejado em todo mundo, o Sr. Gary Hamel que já tinha vindo ao Brasil algumas vezes.

Lembro-me de que alguém lhe teria perguntado se, como éramos (e ainda somos) tratados por muitos no exterior, como país de terceiro mundo, se as boas ideias de administração, tão bem sucedidas em toda parte, poderiam também ter sucesso aqui no Brasil.

A resposta foi bem interessante, ele disse: “Não existem países de primeiro, segundo ou terceiro-mundo. Mesmo nos países mais adiantados podem ser encontrados lugares com pouco desenvolvimento e, por outro lado, em países com grandes desafios de crescimento, podem ser encontradas 'ilhas' com alto nível de desenvolvimento.”

Penso que isso nos ajude a compreender melhor o Brasil, um país cheio de contradições e de oportunidades. Eu, diferente de algumas pessoas rabugentas que pretendem desunir estimulando conflitos entre as diversas regiões da nação, vejo na explicação daquele consultor o exemplo de nossas desigualdades.

Por todo Brasil vamos encontrar excelentes resultados e também problemas graves e urgentes, que exigem ações em nível social, econômico e ambiental. É preciso identificar, reconhecer e desenvolver soluções de inclusão para que haja sempre cada vez mais espaço para o crescimento de toda a nossa brava gente brasileira.

As nossas diferenças não devem representar uma fraqueza. Bastante diferente disso, deve ser o nosso ponto forte. A nossa diversidade cultural é uma vantagem sensacional e pode permitir, com ética e justiça, o desenvolvimento sustentável de todos brasileiros.

Veja que, é a diversidade cultural, com integração social que poderá permitir a realização do nosso sucesso. É preciso mostrar a todos que o discurso cínico e falso do ódio, do medo, do rancor ajuda apenas aqueles que, se fingindo de vítimas, exploram a emoção da gente humilde. São lobos vestidos de senhorinhas que querem devorar a nossa jovem democracia. Vamos mostrar que somos humildes, generosos e coerentes, mas não somos bobos.

Não vamos nos dispersar e deixar que incendeiem o país. Todos sabemos que somos beneficiados pelo extraordinário plano real que acabou com a inflação, a mãe de toda desigualdade. Vamos todos nos lembrar do trabalho firme realizado no final do século 20 para fortalecer nossa economia, nossas famílias e instituições. Vamos concentrar nossos esforços para ampliar e melhorar os programas sociais inaugurados por Fernando Henrique e que, depois foram mantidos, apenas com outro apelido.

Se diante da crise internacional em 2008, o presidente bem orientado pela área econômica, estimulou o consumo, subsidiou a produção e facilitou o crédito, sabe-se hoje que as soluções foram apenas temporárias e precisam de novas práticas e alternativas para de novo colocar o Brasil no trilho do desenvolvimento, do ciclo virtuoso.

O menor problema do Brasil é o seu ministro da fazenda o Sr. Guido, que obediente cumpre tudo que lhe determina a presidente Dilma. A encrenca está exatamente em ela continuar, pois ela de fato é quem manda na economia e tem tomado decisões insustentáveis.

Mais ainda, como é possível manter em suas mãos a chave do cofre e do nosso desenvolvimento quando ela mesma confessa que, como Presidente do Conselho de Administração, o cargo mais poderoso e controlador de qualquer empresa no mundo, ela não sabia de nada do que acontecia na Petrobrás quando a empresa era mal administrada e usada em benefício de um grupo de mal intencionados. É preciso lembrar que a Petrobrás é do povo brasileiro e não de um partido.

Melhor do que isso, podemos dar a oportunidade àquele que já governou Minas Gerais e obteve quase cem por cento de aprovação em sua administração, promovendo a integração e o desenvolvimento de todos.