segunda-feira, 8 de abril de 2019

Os 100 dias e metas sem noção.


                              João Wagner Galuzio

O nosso sistema eleitoral em dois turnos, solução inteligente e necessária, muitas vezes estabelece uma condição que pode  explicitar e até exacerbar as nossas diferenças. Desta forma não é incomum que um novo presidente brasileiro seja eleito com mais de 50 milhões de votos. Talvez pouco mais de um terço destes votos sejam de seus eleitores naturais.

Em segundo turno então, é natural decidirmos ou por escolher a proposta mais semelhante às nossas ideias, ou até, para evitar aquela outra proposta que não queremos. É de se esperar, como manda a elegância da civilidade, que a parcela que não alcançou a vitória reconheça e respeite a decisão das urnas e que, naturalmente, estabeleça uma oposição coerente e responsável.

Na democracia, esta relação entre todos cidadãos irá preparar o terreno para mudanças em solo fértil e saudável. Na sucessão de governos entre FHC e Lula houve o que se pode classificar como uma transição razoável. Mais recentemente, diante da vitória de seu exótico e milionário opositor, Barack Obama ofereceu-nos a todos um exemplo de caráter democrático e de autoridade moral para manter a autoestima de todos os seus apoiadores. Humilde na derrota, foi sensacional na liderança de seus eleitores naquele momento dramático. Ainda hoje se mantém acima das trincheiras dos castelos ideológicos em que se enrascaram aqueles estados desunidos.

Aqui em Pindorama, nossa "Terra Brasilis" vivemos outro drama. Vimos por aqui, nas urnas, os efeitos da polarização global.  Muitos entre os que elegeram esse modelo democrático institucional, essencialmente formal no estilo e militar na estrutura, talvez buscassem um contraponto à fadiga da democracia assistencial, dialética por princípio, mas disléxica em termos objetivos e subjetivos.

Tristemente, resultado da polarização burra, ambas parecem manter um traço comum, se sustentando em dúbias ideologias gritadas por pensadores radicais. Dois destes poderiam bem formar um casal maluco, cujas núpcias talvez pudessem ilustrar o realismo fantástico em que vivemos. Discursos tão diferentes, mas parecem que foram feitos um para o outro, Marilena e Olavo. Ela, querendo ser progressista, estimula o retrocesso, onde todos, muito iguais, teríamos reduzida a nossa vontade própria, ficando submissos à inteligência da espécie. Ele, conservador, por surpreendente que pareça, aposta na dinâmica do progresso como atalho para a prosperidade de todos. Ingênuos e truculentos, confundem ideologia com idealismo. Pretendendo ser idealistas, são narcisistas.

É muita filosofia e pouca economia, o Brasil não precisa disso, precisa de norte, decisão e ação. Depois do vácuo desenvolvimentista cuja epígrafe "Despesa é vida" quase tornou-se nosso epitáfio, houvemos que temer (sic) o hiato de um governo que nunca foi. Meses de procrastinação!

Num misto de medo e de esperança, de um lado e de outro, as urnas elegeram a mudança como alternativa para resgatar nosso sonho de liberdade e de desenvolvimento, sustentáveis. No entanto, a primeira reunião ministerial parece ter sido a senha dos primeiros dias deste governo.

Quando um conselho de ministros se reúne apresentando 35 metas para os primeiros 100 dias, em que muitas delas ou são muito complexas (implicam em processos de longo prazo) ou se revelam inviáveis, a insegurança pode prevalecer.

Nem tudo é desespero! Talvez haja alguma intenção de coerência neste não-método. A confusão, o caos, parecem pretender causar um choque anafilático no coletivo de corporações de uns e no messianismo de movimentos organizados de outros que, juntos, vão destruindo a ideia de nação. É muito "ismo" para um Brasil só. Depois do choque precisamos saber quem vai desfibrilar Brasília, nosso frágil e impaciente coração nacional.

Estes primeiros 100 dias passados nos deixaram sem noção, os próximos 100 dias, com a previdência, teremos uma nova chance de nação. Com o potencial de iluminar algum futuro possível, se não, quem sabe nos reste a providência, Dele que todos gostamos de dizer que é Brasileiro.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Aécio, o Néscio.



João Wagner Galuzio
Pretendendo ser razoável e coerente, busco considerar diversas perspectivas e verificar informações desde sua origem, contexto e consequente aplicação. Esse exercício não é simples, fácil e tampouco confortável. Trata-se de hábito complexo que exige leitura serena, responsável, minuciosa, crítica. Pouco confortável na razão direta em que se deve estar permanentemente alerta para investigar modelos mentais que nos mantém suaves em nossa zona de conforto.


Procedimentos mínimos que são necessários para enfrentar, desde questões mais comezinhas, até temas severos e espinhosos. Debate polêmico é saudável e oportuno, mas muitas vezes é submetido a dogmas e subvertido por ideologias radicais. A polêmica deveria ser uma qualidade da política e deveria representar a arte de construir uma identidade valorizando a diversidade mediante o respeito incondicional ao contraditório. Diferente disso, cada vez mais observamos o embate como meio e fim do processo, como a dizer, se é diferente então é contestável.

Contestação que muitas vezes leva à consternação, quando ideias, projetos e propostas idênticos ou, pelo menos, semelhantes são ovacionados ou ojerizados conforme a agenda do lado que está ‘dono da bola’ em absoluto prejuízo do discernimento e, pior, do interesse da nação. Preâmbulo oportuno para exorcizar a minha própria consternação, diante de denúncias envolvendo o candidato que representa o projeto político que eu avalio como mais efetivo.

Não posso dizer que o considerasse uma vestal num estabelecimento de duvidoso pudor, sei que não há ingênuos e que a malicia é a base dos relacionamentos, em todos expedientes públicos do país. No entanto, o sofrível e asqueroso nível de seus comentários, evidente em suas conversas telefônicas, devassadas por ordem judicial, é patético.

Mais uma vez, não quero ser puritano ou hipócrita, que pudesse ousar requisitar um reservado e imaculado vocabulário daquele senador, logo eu que, colérico, inauguro impropérios inimagináveis a cada pane de meus gadgtes. Para dirimir meu desalento, prefiro crer que possa ter sido vítima de um episódio de pareidolia, talvez querendo ‘enxergar’ traços de Tancredo, em neves imundas de carreiras entorpecentes. Quereria mesmo salvar minha consciência ao conjecturar hipóteses conspiratórias, mas seria um desperdício de oportunidade para tentar garantir algum esboço de inteligência.

Se eu considero canastrão, o pródigo orador que ocupa sua suíte presidencial, na cobertura simplex de Curitiba, não é menos desgraçado este parvo e néscio, o Aécio. Conspurcou a historiografia de sua família e trucidou sua própria biografia. Do significado etimológico de Aécio, a águia heroica dos romanos, restou apenas reles, a ave de rapina, em sua natureza mais visceral e eu adulto nunca me senti tão estulto.

Frustrado, tentava estabelecer algum parâmetro para que pudesse oferecer algum plano ou nível de equivalência entre aqueles dois impudicos homens públicos, as citações eloquentes que suscitei se revelaram apócrifas, nem Lenin, nem Voltaire. 
Nem Lenin teria dito “Acuse os adversários do que você faz e chame-os do que é” e tampouco Voltaire teria declamado: “discordo do que você diz mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo"; dois sofismas recorrentes utilizados à direita e à esquerda ou para acusar ou para se escusar. À direita parece inequívoco que, quem quer que seja o autor do ditado, ele descreveria a tática de desinformação adotada pela propaganda sinistra. À esquerda, beócios gritam inocência, ratificação exagerada que faz duvidar. 

Nada, órfã a inteligência delinque, resta o império da paixão, acorrentada aos grilhões da certeza incontornável e inflexível. Muitos novos capítulos dessa ópera bufa irão nos iludir, mudarão apenas os protagonistas, o enredo continua, mas néscio, o Aécio desaparece.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Ilustre presidetento e lúcida presidenta

                         João Galuzio


Soubemos recentemente pela imprensa, que o detento mais ilustre do Brasil "está lendo muito e bastante consciente dos problemas do Brasil” como declarou uma senadora, sua correligionária, no âmbito de uma visita humanitária patrocinada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, para verificar as condições prisionais na sede da Polícia Federal em Curitiba.

É bastante curioso, embora lamentável, que não tenhamos visto igual celeridade e probidade na investigação de chacinas havidas em instalações prisionais por todo o Brasil, notadamente os recentes eventos afetando cadeias no Pará. Não surpreende também que, apesar do objetivo da inspeção ser “a verificação das condições da carceragem” quase pouco ou muito nada (sic) se disse a respeito.

Muito mais se disse sobre o entusiasmo do detento pela literatura e de sua douta consciência acerca dos problemas nacionais e, para não ser mais explícito, de sua alegria por ouvir a matraca diária da claque que acampou próximo ao cárcere. A mesma senadora (e seu cônjuge) enfrenta denúncia que aponta a interpretação própria e exclusiva sobre reforma previdenciária, que a excelsa parlamentar mantém explorando os endividados funcionários públicos aposentados e logo terá oportunidade de hospedar-se junto ao messiânico líder.

Exposta toda balela, aproveitando o horário gratuito que lhes é oferecido candidamente para fazer propaganda e manter a tropa em ordem unida, subsidiando o nhem-nhem-nhem para fazer parecer senso comum. Essas não-notícias representam um expediente habitual, utilizado por estes especialistas em comunicação social, para pautar a mídia. A mesma mídia que vociferam.

A mídia, essa coisa amorfa, real ou virtual, representaria o conjunto de veículos de imprensa em todos os meios, que reúne incontáveis críticos, jornalistas, cronistas e analistas, homens e mulheres mais ou menos preparados, que observam a política diuturnamente, mas que se deixam prestar a esta reiterada manipulação e que, repercutindo, estão servindo àqueles, no que lhes interessa como lhes convém.

Rápido, a mídia repercute dócil e útil: “[o presidente detento] lê, pensa e ouve o país” Por último claudicam seus comparsas: Oh céus, que tortura torpe, ‘ele está sozinho’. Não observei nenhum órgão de imprensa esclarecer que a solidão ocorre em benefício do meliante, para sua segurança e em homenagem ao cargo, pois não fosse isto, restar-lhe-ia uma cela com dezenas de outros condenados, compartilhando uma indefectível e insalubre fossa sanitária.

Sinais esquizofrênicos demonstram que, toda esta canhota horda, vislumbra realidades alternativas ou estimulam sua pós-verdade, um eufemismo para dizer que, “o que é subjetivo pode ser mais efetivo do que aquilo que é objetivo”. Adoto regularmente a ‘Regra 180’ para o que dizem e, na maior parte das vezes é o que traduz a realidade. Quando se diz “ele está tranquilo” (a 180º) o cidadão está surtando. Ao mesmo tempo quando indicam tratar-se de um líder estadista, nos bastidores de sua intrincada rede social vaza-se: “Cadê as muié de grelo duro?” ou, em bastante alto nível declara ‘carinhosamente’ o predicado de pré-candidata à presidência: “garota bonita”. Nos dois casos foi santificado pelos parvos. Tão fofo, não é?
Academia Sem Noção de Letras

Dizer que o doutor honoris causa, ilustríssimo dishonoris sem-causa está lendo livros de História e sobre o futuro da humanidade é risível, faz-me lembrar de entrevista ao Canal Livre, nos anos 1980 quando, o então líder sindical foi perguntado:

Canal Livre: Você está fazendo muitas citações de 1930, 1906... Você não está estudando nada? Você sente necessidade de estudar?

Resposta: “Não, eu acho que, olha... primeiro eu sou muito preguiçoso, até pra ler eu sou preguiçoso... eu não gosto de ler, eu tenho preguiça de ler, é uma questão de hábito.”

Mais recentemente, a Sra. Dilma, responde ao seu modo peculiar, a bastante lúcida presidenta (sic), vejamos: “Dilma, quais são os seus livros preferidos?”

Dilma: “Bom. Livros, né? Eu estou lendo um livro ... tá me fugindo ... eu tentei falar um pouco sobre a novela, pra vê (sic) se eu lembrava o nome do livro e não lembro ... do Sándor Marai ... o livro chama (sic).... as... as... as... brasas... isso mesmo,  As Brasas ... é uma talvez uma das [silêncio constrangedor] ... assim, me impactou muito ... eu conclui ele ontem à noite rapidinho porque eu ... eu consigo lê (sic) no domingo.”

Se o detento sempre se revelou um extraordinário comunicador, em que pese o seu desprazer pela leitura, já não se pode dizer de sua dileta sucessora. Depois de uma forçosa revisão de seu currículo, enquanto candidata apresentava-se como ‘dotora’ em Economia o que mais tarde se verificou Bacharel. Buscava um verniz intelectual ao seu perfil, na prática se revelou um completo desastre na prosa e colapso absoluto em verso.

Dada a licença poética à lucidíssima douta senhora de se fazer alcunhar como ‘presidenta’, dou-me a vênia de predicar seu inculto predecessor adequada e proporcionalmente, como o primeiro “presidetento” do país. Numa definição singela, caberia o registro num dicionário não-oficial desta Academia Sem-noção de Letras dois estes dois neologismos:

Presidenta (s. f.) indivíduo do gênero feminino que violenta o vocabulário pátrio.

Presidetento (s. m.) indivíduo megalo-pseudo-messiânico ex-presidente e presidiário.

terça-feira, 20 de março de 2018

A verdade da facção, a morte da nação.


                                                                      Cândido Poliano.




É muito triste ou, melhor, é deplorável o uso da caneta, da mídia, das redes sociais ou qualquer outro meio, pessoal ou institucional, por gente desonesta e mau-caráter, de todos os matizes ideológicos, de qualquer facção. Não tem lado inocente quando vociferam seus ódios, como se de fatos ou da verdade pudessem ser proprietários. Trata-se de uma armadilha perde-perde onde qualquer tentativa de se buscar um debate razoável, logo se converte num abate desprezível.



A violência no Brasil é uma indústria que 'sustenta' muita gente bacana que grita às suas claques em tribunas ou tribunais, em seus estúdios ou redações, em suas cátedras, palcos ou altares, pela segurança e pela mais proba governança social, de novo, à direita e à esquerda. As tropas de elite do Padilha, não são sutis quando denunciam isso. As balas perdidas, o hediondo faroeste a que subjugaram a sociedade carioca, em particular, mas não exclusivamente e as cínicas mazelas populistas daqueles que deveriam governar são radicalmente abomináveis. 

O atentado nefasto perpetrado contra esta jovem vereadora no Rio de Janeiro, não é mais grave, mas é emblemático. Nenhuma vida vale mais ou menos do que outra. Cada inocente (ou não) que tomba vítima de violência é uma tragédia. Não escapam a esse raciocínio os que são criminosos de qualquer sorte, pois toda morte é odiosa. É a essência da civilização, a justiça. Criminosos, todos culpados devem ser tratados com o rigor da lei, jamais o linchamento real ou moral. 


Então não cabe, numa sociedade que pretende algum esboço de civilidade, argumentos como “bandido bom é morto” que são tão impróprios como aqueles que pretendem proteger assassinos e estupradores, como se vítimas fossem. Nos dois casos, são excrecências abjetas, demagogia simplista e, ambas, próprias de regimes de exceção do outro, do que pensa diferente. 


Todo assassinato é nojento e covarde, estúpido e cruel. Este atentado em particular é distintivo do genocídio social e cidadão de toda a nação. É sintoma da falência moral nacional. Não há nação se não há consciência política, mas um punhado de facções. Onde e quando prevalecem as facções, as ditaduras da paixão e o espírito de corpo sepultam a razão do nacional. Atenção, por facção, eu me refiro a todo ativismo e, ou, corporativismo: empresarial, sindical, judicial ou de qualquer outro diferencial, em prejuízo do que é nacional. Círculo vicioso em que todas as partes, as facções, buscam o seu máximo benefício. Todo bônus é exigido e todo ônus preterido. Para os que apreciam o simplismo populista, aí está uma equação que sempre terá resultado zero ou negativo.


Consciência política implica em razão, o sacrifício do corpo, do particular, do individual pela alma da constituição, da diversidade e do coletivo. Não nos enganemos, diversidade e coletivo que, igualmente, não podem ser mais relevantes que a nação. Ser político é, antes de tudo, a qualidade excepcional e muito sofisticada de respeitar e valorizar o que é diferente, não importa quanto indigesta a opinião alheia o seja. Ser cidadão para apenas ter direitos e poder excluir o que não aprecia, pode render votos e até alguma ou muita popularidade, mas será um desserviço à permanente e complexa construção da uma consciência nacional. 


Depois das imediatas e necessárias manifestações de desagravo à jovem vereadora, e seu motorista, agora vão pululando nas redes sociais outras manifestações, entre muito sarcásticas e outras mórbidas, ou desqualificando a pessoa ou banalizando o homicídio. Enfim, parece evidente que nada se aprendeu e o processo apenas vai acirrando ainda mais o ódio nestas vozes vorazes. Com letras mal ditas e canetas injustas, são munições essas tão desprezíveis quantas aquelas que levaram Anderson e Marielle. Espero que, por emblemático, este atentado atroz represente um ponto limite, para iniciar um circulo virtuoso de respostas mais efetivas e que, o descanso deles seja a fonte eterna de nossa energia, para jamais outra vez nos acomodarmos diante da violência de cada agressão real, não verbal ou passional.


Professor, eu confesso que ainda não aprendi essa lógica da verdade passional. Violenta, a verdade passional é aquela total, indiscutível, pronta e definitiva, disponível por todas as redes sociais, reais ou virtuais. É uma verdade instantânea. Seus proprietários entendem assim: “Se eu recebi a informação de alguém, de quem sou aficionado, logo é verdade.” e, ato contínuo, rápido compartilha. Compartilhar virou eufemismo para “sumária e radical, justiça popular”, por último e mais uma vez, não importa a facção, o dono da verdade sempre pensa ter razão. Triste fim de uma quase civilização, onde pessoas com até muita instrução e preparadas, são solapadas pela propaganda elaborada, com requintes e ferramentas de metodologia científica dando um verniz de estética intelectual para sustentar o seu fascismo predileto.


segunda-feira, 12 de março de 2018

Pátria Educadora ou mátria ditadora


Extemporâneo uns irão dizer, conservador por essência outros decidirão. Eu, do meu jeito, considero o que escrevo tempestivo e pragmático, dado que sua sombra ainda nos assombra. Contestar meus neologismos boçais não poderão, aqueles que se inflamam por sua "presidenta".


Não vou cometer a grosseria de chamar de 'poste' aquela senhora, dona de versos e provérbios únicos e indizíveis. Não poderia ofender a categoria destes gigantes pilares que, muito úteis, sustentam eficientes nossa energia, o que não podemos dizer 'de uma' economista que não entende os fundamentos de sua ciência. 

Sua primeira passagem pelo planalto foi algo lamentável, embora avalizada por milhões de mentes tão generosas, dóceis ou ingênuas. Sua recondução, todavia, foi um espetáculo detestável de toda sorte. A inapta mandatária em seu inepto desgoverno produziu retrocessos insustentáveis em prejuízo do crescimento sustentável. 

Desde sua nova gestão imaginou um slogan exortando a nobilíssima vontade de seu (sic) novo mandato. Exortações muitas vezes pretendem algo que, na prática, se revelam armadilhas que menos orientam ou estimulam e mais confundem ou desmobilizam. Estupenda vocação, a verborrágica senhora bradou pela "Pátria Educadora". Não obstante o nobre mister, sua sirene trombeta desnuda obscena vocação para patrocinar a desinteligência feito ideologia pavloviana. 

Vociferando 'pós-verdades' alucinantes, pretendeu a pasteurização das mentes desde dementes intelectuais serviçais. Pavlov e Pasteur, notáveis cientistas que me perdoem sua referência, que descansem em paz, enquanto sofremos a dor da ignorância eloquente das não-metas dobradas. Se outro notório frade medieval inventou suas partidas dobradas como método de equivalência, Vossa Excrecência 'de uma' vez inventou o planejamento sem referência, sem origem ou destino para delírio e apupo de seus iguais. 

O discurso de uma pátria educadora, é tão bonito na letra, como é nojento na prática que vai tratorando mentiras na forma de pré verdades com seu jeito 'mátria ditadora', truculento método de determinar a sua estrábica miopia como a lente de todo mundo.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Brasilia, Braziland ou Brasilistão?

João Wagner Galuzio
Escrevedor e Cantador

BRASILIA, BRAZILAND OU BRASILISTÃO?

O bicho 'sapiens' é um mamífero gregário por natureza, desde quando vivíamos em bandos nas árvores, há milhões de anos e, em tribos e clãs desde umas poucas centenas de milhares de anos. Somos e nos tornamos todos mais viáveis, quanto mais e melhor soubermos viver bem integrados uns com os outros.
A evolução humana experimenta e alterna momentos de franca evolução, muitas vezes em função do ambiente, mais ou menos adverso e hostil, que exige radical adaptação, em séries de mudanças que levam a uma terminal revolução. Ou muda ou nada.

Ah, eu sei que sou dramático, mas não sou exagerado. Se as mudanças são inerentes e inexoráveis ao nosso desenvolvimento humano e marcam o compasso de nossa evolução, mudanças muito intensas e bastantes vezes mais frequentes e aceleradas, por vezes 'atravessam o samba' num sincopado que pode até levar à fibrilação do nosso frágil tecido social ou nacional.

Vivemos uma revolução sócio-econômica-filosófica-cultural-etcetera-e-tal, em grande parte estimulada pela concomitante revolução tecnológica. Inovações técnicas e metodológicas vão à frente num andamento prestíssimo [andamento veloz], enquanto nossos comportamentos e costumes seguem 'larghissimo' [andamento muuuuito lento (sic)]. Uma das consequências disso é uma confusão moral que não poupa nem mesmo algumas de nossas mentes mais preparadas que, inteligentes, mas cartesianas, sucumbem a esse hiato que não é essencialmente racional, mas passional.
Resultado dessa confusão, nossos valores humanos, aqueles fundamentos que compõem, ao mesmo tempo, o alicerce e o horizonte de nossa gente, são vilipendiados, para não dizer massacrados. Numa fase anterior, já experimentávamos o que se convencionou chamar de 'inversão de valores' que, já no Século XIX Ruy Barbosa denunciava:

“De tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a rir-se da honra, desanimar-se de justiça e ter vergonha de ser honesto. ”

Neste início de Século XXI, tantas redes sociais virtuais, efêmeras e superficiais, vão se  enroscando até quase rasgar a complexa malha que forma uma nação, excluindo as diferenças, linhas diversas que deveriam abrigar. Parece que vamos involuindo a um nível em que pouco se percebe a inversão, pois parecem extintos os valores. Conectados, mas desintegrados, somos indivíduos que enxergamos, reconhecemos e valorizamos cada vez mais nossos próprios e exclusivos valores individuais. Vemos a nação se esmorecer em grupos, comunidades ou corporações que, ou degringolam em movimentos sociais 'orwellianos' ou milícias xenófobas, que se reduzem a 'coletivos', expressão que me parece bem adequada aos juntamentos de frações de interesses que buscam uma conquista particular em "flash mobs" insanos.

Todos os povos, em todo planeta, enfrentam ou já enfrentaram essas contradições, em maior ou menor grau, mas no Brasil estamos às vésperas de rasgar o manto da consciência nacional, o que poderá nos impor uma fatura impagável e implacável. Devemos, e não podemos tardar, decidir nosso destino, o que desejamos para os nossos descendentes para os séculos que virão. Qual tradição iremos adotar para realizar o nosso 'Brasilia'? Assim mesmo, masculino, sem acento, em latim: Brasil.

Na tradição da cultura anglo-saxã, 'land' é o sufixo utilizado para designar a terra ou o lugar próprio de um clã ou de uma tribo. England ou, ‘Ingla-terra’, é o território do 'anglos' ou, ingleses. Na Ásia, 'istão' é o equivalente sufixo nos idiomas daquela região, para identificar a condição daquelas etnias 'que ficam ou se estabelecem' num determinado território. Por isso, vemos lugares próprios dos que são curdos, dos que são afegãos etc. denominados, respectivamente, Curdistão, Afeganistão, entre outros.
O léxico romano também destaca um sufixo [-ia] para indicar as pessoas de um lugar como pode-se encontrar tantos exemplos na forma original, em alguns casos como -'Germânia', 'Hispânia' e 'Brasília' ou, como em outros casos, o sufixo se mantém, veja-se Itália, Suécia, Índia, Rússia e Croácia, entre centenas.
Então obstino. Nós brasileiros, que país pretendemos para nossos filhos, qual é a nossa vocação? Que futuro iremos preparar? Enquanto muitas nações, que superaram a barbaridade e hoje demonstram algumas evidências de alto nível de civilidade seguem o modelo "land" exatamente por saber valorizar a diversidade, de outro lado, tristemente, muitos dos "istãos" parecem ter perdido a memória de um passado que, quando não glorioso, fora muito sofisticado e vão retornando, orgulhosos e determinados, quase à idade das cavernas, pois que em benefício de umas poucas etnias, vociferam o que parece diferente.

O nosso 'Brasilia' (ratifico: Brasil em latim) tem a oportunidade de escolher seu destino. Ou respeitamos e valorizamos as nossas instituições e diferenças ao jeito "Braziland" ou, se premiarmos as partes, as castas e as corporações de toda ordem política ou profissional, iremos definhar e depauperar num dramático e inviável "Brasilistão". A história é repleta de exemplos de nacionais que, desejando salvar interesses de grupos, uns versus os outros, todos perderam. Parece-me que não aprendemos. Eia pois, ouçamos a dolorosa sapiência histórica, outrossim, vibrantes sofreremos a deliciosa ignorância retórica.


Sim, a sabedoria da história, com azeda certeza é difícil, pois montar este “patchwork” social com matéria prima tão excêntrica, é encargo para aqueles que, maduros, transaram seus valores ancestrais e trançaram juntos seu futuro. A ignorância retórica é tão deliciosa quanto ardilosa. É doce e suave o caminho daqueles que se encantam (e se enganam) com a conversa gostosa dos que oferecem a seda lisa, fácil e suave, desde que, imaculada seja sua ‘pós-verdade’, neologismo eufêmico para estelionato intelectual, a falácia inefável. 

quinta-feira, 31 de março de 2016

Enquanto a banda passava o bando catava...

João Wagner Galuzio
Escrevedor e Cantador

Os argumentos que tenho visto para 'defender' os crimes hediondos patrocinados pelo histriônico ex-presidente-quase-ministro-futuro-detento que, querendo enaltecer as mulheres, as convoca à luta com toda a sua doçura e sutileza, vociferando "Cadê as mulher (sic) de grelo duro do partido?
Confesso que trabalhei muitos anos em fábrica, com rapazes que sabiam ser escatológicos, diziam e dizem cousas de fazer o capeta ficar vermelho (de vergonha), mas nunca havia testemunhado tal grosseira e, ratifico, a 'peãozada' que conheço jamais diria isso.
Até entendo que os militantes da 'Cosa Rossa' tenham o mesmo raciocínio do capo, que um dia já anistiara o Sir Ney do Maranhão, isentando-o de qualquer responsabilidade em nome de sua biografia, como se histórico pessoal pudesse ser diploma de imunidade ou, pior, de impunidade. 
Esta senhora que está Presidente do Brasil ao imitar o seu criador, quer sugerir que não pode ser responsabilizada pelas vultosas propinas, muitas vezes em dinheiro vivo, usadas em sua campanha de extorsão eleitoral, por desconhecimento. Argumento inocente próprio dos receptadores que desejam se eximir de culpa. Mais, penso talvez coubesse a tipificação de Receptação Qualificada como consta no parágrafo 1º do artigo 180 do Código Penal, como segue:


Receptação qualificada 

§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crime: Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.

Atente-se à sutileza.... "COISA QUE DEVE SABER SER PRODUTO DE CRIME"

Indignado como milhões de brasileiros, vejo estarrecido defenderem o poeta genial em sua sina para não desmascarar sua musa, por isso me atrevi a parodiar A banda, como forma um pouco de protesto e um pouco como desabafo.  

O bando
                                                                                              Autor Zico Broaca
"Estou na boa na vida
O petrolão me pagou
Pra ver o bando pegar
Catando tudo sem dor.
A minha mente fingida,
Ignorou sem pudor.
Pra ver o bando pegar
Catando tudo sem dor.
O homem néscio que mamava, dinheiro ganhou.
O churrasqueiro que queria vantagens, levou.
E na morada onde estava a estrela,
Morou pra valer e sumir na malandragem.
O dedo em riste que exibia safado, bradou.
A Rose triste, sua dama de fachada, sobrou.
E a pelegada toda logo assaltou
Pra ver o bando pegar
Catando tudo sem dor.
A minha mente fingida,
Ignorou sem pudor.
Pra ver o bando pegar
Catando tudo sem dor.
O velhaco se formou no cangaço, levou.
Com mais um poço, pra subtrair,
Um pedaço do que jorrou.
A troça feia engasgou na goela [da gente]
Pensando que o bando se importava por ela
A tropa flerte se espalhou na esplanada e investiu
[com] a bolsa cheia, na surdina, partiu
A falsidade toda se aproveitou
Pra ver o bando pegar
Catando tudo sem dor.
Mas para o seu desencanto
O que era voto usou.
Tomaram o seu lugar
Usando seu voto inocente.
Um cadafalso insolente
Assaltou o planalto, a indecente.
Pra ver o bando pegar
Catando tudo sem dor."