terça-feira, 10 de setembro de 2024

Secretária: Segredos e estratégia.

Celebrando o dia do Administrador, uma amiga comentava de sua dupla formação em Administração e Secretariado Executivo. Dizia da importância e conexão dos conteúdos e falava dos sujeitos ingênuos que se lembram da secretária apenas para atender ao telefone ou pensando no café. 
Ingênuo é o eufemismo recorrente que uso para descrever quem usa de desinteligência no relacionamento humano. Ao ingênuo inocente ofereço um pouco de piedade mas, ao ladino ingênuoentão, merece pouco e menos ainda o perdão.

Secretária: Segredo e estratégia
Esta profissão, daquele que está secretário ou, secretária, é assertiva de fato e vale uma deliciosa investigação etimológica. Por princípio, era uma atribuição essencialmente masculina e seu radical expressa a condição daquele assistente ou conselheiro digno de segredo, confidente daquilo que é secreto. Está aí a origem da palavra. 
Na burocracia da administração pública em todo mundo civilizado, a função tem caráter executivo e estratégico. Observe que nos governos municipais e estaduais, são as Secretarias, e seus titulares, os departamentos e os profissionais, respectivamente, com autoridade efetiva e executiva. Assim como, em nível federal, nos ministérios e, inclusive na ONU, onde a principal referência é o... Secretário-Geral.

Desde a revolução industrial,  primeiro e, depois, a aplicação dos princípios das linhas de produção nas fábricas que, replicados, pulverizaram todas as funções nas empresas, inclusive administrativas. Este esquartejamento exagerado parece ser um dos motivos desse processo de redução a funções mínimas e operacionais do cargo. 

É preciso dizer,  a bem da verdade que, mesmo nessa 'idade média' da simplificação operacional, quando métodos de comando e controle machistas e patriarcais, atravessavam toda a hierarquia, o misógino sem noção, provavelmente não terá percebido o extraordinário poder da eminência parda de suas secretárias. 

Conhecimento humano e Inteligência Artificial 
As recentes mudanças, nesta nova dimensão da revolução industrial em curso, onde o conhecimento é, ao mesmo tempo, fator, processo e motor dessa sofisticada engrenagem de sistemas inteligentes de informação e comunicação, são as inovações responsáveis por atribuir às Secretárias, o tempo e o lugar, certos na história.

Temos o privilégio de encontra-lás em todas as melhores empresas para se trabalhar. Em muitos casos, considerando a complexidade de suas atividades, são cada vez menos apêndice na estrutura organizacional e, cada vez mais executivas.

Essas melhores organizações as reconhecem e valorizam com denominações mais adequadas como Secretária Executiva, Assistente Executiva, em linha de comando e sucessão, haja vista sua capacidade pragmática de enxergar e prática para realizar. 

Empreendedoras,  são excelentes administradoras que desenvolvem e compartilham novos segredos, entre eles, o segredo do sucesso. Não seja ingênuo, no próximo dia 30 de setembro, valorize  a eminência dessas excelências e, mais do que flores, lhes ofereça o  seu melhor café para celebrar a competência e, oportunidade para viabilizar o sucesso que merecem.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Jundiai

Hora e local como agendados.... Prefeito iniciou destacando que as compras eletrônicas ocorrem desde 2002 por pregão  E por ocasião agora.. da condição de Região Metropolitana de Jundiaí... viu-se uma oportunidade para envolver fornecedores também dentro dessa Região... Embora a lei nova de licitação tenha efeito agora... o município se antecipou e, desde março já aplica o parâmetros alí constantes.   Destacou que Jundiaí é um município que paga todos os seus fornecedores em dia... Observaram no projeto a oportunidade de trabalhar e fomentar o *empreendedor regional* sempre levando em conta, como fundamento para esse relacionamento a governança e a institucionalidade... *Todos os pagamentos são executados em ordem cronológica*  Observamos a oportunidade da *perspectiva ambiental* quando o Prefeito demonstrou que toda área demandante leva em conta e observa os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável)... e que, o modelo de gestão da prefeitura é orientado a plataformas e áreas de gestão e não exclusivamente, por secretarias... Como exemplo indicou que para serviços de asfaltamento deve obedecer um plano de autorizações em benefício da sustentabilidade para se obter o maior tempo de vida útil do asfalto  .. Lembrou que Jundiaí é a 8ª economia do estado, a 18ª do Brasil e já foi indicada como a 2ª cidade mais sustentável (Bloch verificar qual instituto classificou)...  Simone e equipe destacaram a relevância e os grandes benefícios da lei nova que preconiza, além do menor preço, outros parâmetros como a solicitação de certificações nas licitações em benefício da segurança e da qualidade do que se é contratado...    Mantém e se utilizam de cadastro de materiais e marcas homologadas para acelerar e garantir consistência das compras... Todos domicílios são atendidos por coleta seletiva e há gerenciamento do resíduo sólido... onde, no caso dos resíduos volumosos, as caçambas são chipadas e se tem o controle de seu uso e descarte para a usina de processamento de resíduos.    O Sr. Eloi por sua vez, em termos de sustentabilidade, demonstrou a importância de se manter parte da frota de veículos com abastecimento elétrico, para mitigar as pegadas de carbono... Há um centro de distribuição centralizado para evitar circulação desnecessária e desgaste ... havendo inclusive várias estações de recarga da frota elétrica.... Todos afirmaram em consenso que a nova lei dá muito mais inteligência e permite melhor diferenciação das compras em relação à Lei 8666... Neste instante, o Prefeito fez questão de destacar a qualidade da equipe de alto nível bastante diferenciada com cargos comissionados com percentual (20%) determinados para profissionais de carreira da prefeitura... Instalou-se, em parceria com o Centro Universitário Padre Anchieta um curso MBA para formação em Tecnologia e Inovação para 50 servidores... (Simone, Emily e Alexandre, inclusive)... O prefeito mais uma vez pediu a palavra para declarar seu entendimento da eficácia do executivo público que... como bem destacou, está menos no exercício das práticas, e bastante mais na inteligência estratégica a partir do acesso às informações de todos os contribuintes e o uso adequado e oportuno destas informações.. Fez esse destaque para passar a palavra ao Jones que demonstrou um dashboard com mais de 400  indicadores de gestão (todos vinculados a algum dos ODS), disponíveis para tomada de decisão no âmbito das plataformas (intersecretarias) e, muito especialmente para acesso online para toda a população... Quando são disponibilizados dados, indicadores e até imagens e vídeos dos equipamentos públicos para efetivo acompanhamento de toda população... Jones deu como exemplo o episódio em que uma cidadã... alertou que as câmeras de vídeo de uma determinada unidade estavam 'congeladas'.... Jones ainda destacou o  observatório jurídico como diferenciação desde a certificação obtida recentemente da *NBR ISO 37120: A primeira norma técnica para cidades sustentáveis em nível bronze* cuja próxima auditoria de acompanhamento está  prevista para os próximos meses... O PPA (Plano Plurianual) leva em conta todos os 380 indicadores (muitos deles secundários IBGE etc) e que 80% dos indicadores são primários ... ou seja, de Jundiaí.... e são monitorados e revistos a cada 2 meses... Nós destacamos a excelente apresentação, satisfeitos especialmente com os indicadores bastante verossímeis ... 76% de eficácia... indicando maturidade e inteligência para se identificar oportunidades de melhoria e pertinentes ações de melhoria contínua.    Encerrada a reunião com o Prefeito visitamos o departamento de compras governamentais com a equipe responsável... Simone, Emily, Alexandre e Eloi...   oportunidade então de considerarmos A) os detalhes dos índices percentuais apresentados na inscrição; B) o processo de desenvolvimento dos fornecedores da região metropolitana de Jundiaí... C) a consciência da importância da LEI 123 implementada  e que ... onde vários fornecedores (inclusive municípios) buscavam Campinas como referência agora estão cada vez mais orbitando e dando protagonismo à RM de Jundiaí.... Por último tivemos a oportunidade de receber e ouvir os depoimentos de duas profissionais da equipe de (15) pregoeiros.. Erika e Francilene.. as duas atestaram com bastante entusiasmo a eficiência e a eficácia das compras governamentais e a efetiva dinâmica e versatilidade do sistema para, por meio do intercâmbio com a equipe de Sistemas e T.I. para melhorar constantemente os pregões... Todos atestaram, inclusive, que ante uma inicial resistência dos pequenos fornecedores do município (Ah, vocês só compram de fora e nós não temos oportunidade) ... orientados e formalizados cada vez mais participam e entendem melhor a transparência e oportunidade do sistema de compras.... (Emily: "Se não compramos mais dos fornecedores do município era por falta de oferta... agora vai evoluindo muito bem)....

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Nórdica é a caminhada, amizade é o destino.

 João Wagner Galuzio


Você, com certeza, conhece uma pessoa introvertida que, não precisa ser tímida. Muitas vezes, pode ser só discreta ou focada. Você, igualmente, pode ter um amigo extrovertido, daqueles que fala pelos cotovelos e, que, por incrível que pareça, talvez seja mais tímido que a primeira pessoa. 

Agora, além dos extrovertidos falantes, há os italianos e seus descendentes que, animados, falamos pelos cotovelos, com as mãos, pelos joelhos... O corpo todo é um complexo sistema de falar e dizer, com caras e bocas, bicos, beiços e muxoxos. 

Nesta hierarquia dos loquazes, imagine um paesano, professor e corretor. Um dicionário inteiro não é suficiente para encerrar sua eloquência e, nessa prosopopeia, microfones ficam roucos e sem folego. Sou eu! Neto de italianos, cantador e contador de histórias e estórias.    

Dependente intensivo de relacionamento humano, sou daqueles que fala com a própria sombra e troco altos papos com o espelho, sozinho no elevador. Minha filha, muitas vezes, me pergunta se sou candidato a quê, considerando que cumprimento a todos que encontro, amigos, vizinhos, estranhos, todos. Sou do tipo fácil.

Sou um professor feliz, abuso da retórica, louco por metáforas e um bocado de anedotas, para desespero de meus alunos. Na prospecção de novos contatos ou na divulgação de meus bons imóveis encontro a satisfação de conhecer novas gentes todos os dias. Eu, deliro.  

Uma graça diária que me proporciona bons momentos quando, às vezes, sou ouvinte e outras vezes sou consulente. Menos vezes, não poucas, encontro gente grande. Grande inteligência, grande coração, grande cultura e maior identidade ou afinidade. Entre eles o Carlinhos, um espírito jovem com pouco mais de sessenta anos, dono de enorme energia.

Seu entusiasmo é imenso e usa e explora toda toda sua natureza, cabeça, tronco e membros que, estes, não dão conta de tanta vibração e, então, extravaza sua força além de seus braços e pernas, em seus bastões de caminhada nórdica, extensão biônica de teus membros. Uns poucos encontros se converteram em aulas dessa marcha nórdica. 

O destino desta amizade? Vai longe e novas ferramentas, como próteses (bastões) serão necessárias para manter constante essa trilha, numa jornada easy rider. Se este italiano fala pela mãos, o meu nórdico companheiro expressa seu amor pela vida e seus valores usando seus bastões.

terça-feira, 18 de julho de 2023

Todas as Divas, uma só mulher!

 

Todas as Divas, uma só mulher.


João Wagner Galuzio


Romântico dramático, quase erudito, misturo parnasianismo rococó e realismo fantástico, mais uma dose extra de prosa formal para esboçar um elogio às mulheres, todas divas.

Todas são divas, mas todas divas representam um extrato do meu amor, uma face da singela e poderosa Dulcineia como um cavalheiro de triste figura, que sou, quixotesco.

Rabisco ensaios para fingir-me ventríloquo de Cyrano, sob o alpendre de minha Roxane ideal.

Romeu narcisista, levanto meus olhos além dos altos terraços onde minha Julieta, apaixonada, imagina e espera seu herói.

Jane Austen me ilumina com seus protagonistas Elizabeth e Darcy, um pouco de orgulho, mas nenhum precoceito. 

De Violeta, sou o Alfredo mais devastado e o meu imenso amor, misterioso, é cruz, é delícia e arde como fogo que não se vê, como já ilustrava o Vieira. 

Você, meu amor, uma só mulher, única é a minha Diva absoluta. Resume todo poder, todas virtudes, vontades, vaidades e todos deliciosos pecados, os inocentes e os mais inconfessáveis. Todas as Divas em um só, meu amor.

 

1.                 Diva essencial

Tua inteligência livre tem o poder de encantar todos que deixa conhecê-la.

Os olhos incandescentes, lancinantes, fulminam sua indecência pura e verdadeira.

A voz sensual expressa a delícia de sua malícia intensa e inocente.

Os lábios doces exalam o bálsamo da quente, úmida e suave sedução.

Como seda, os cabelos generosos agasalham o rosto sereno e gentil.

Rendo-me feliz ao desejo misterioso de te envolver em meu afeto.

Luz primordial, você me ilumina e, me iluminando, também aquece o meu ser.

 

2.                 Diva virginal

Doce. Você é doce!

A idade não descreve tua alma, você não tem idade.

Vejo você, virginal, aos dezoito, igual aos trinta e oito ou mais, a tua natureza gostosa é sempre a mesma, viçosa.

Tua aura pura, é o manto, o véu que veste tua alma sensual.

Teu olhar, oh bela, tão ingênuo, constrange até a fera mais lasciva.

Um simples gesto teu é capaz de abduzir e logo, manso, a fera é feito noviço.

 

3.                 Diva sereia

A mitologia, em muitas culturas, a descreve mística, deslumbrante.

Rouca, tua voz estonteante pode arrebatar o bárbaro mais rude.

Quisera que essa quimera, em sua magia, pudesse me arroubar.

Por águas insidiosas eu me encharcaria, atrás de teus cantos maviosos. 

Gigante, rendo-me às tuas canções em letras repletas de amor e prazer.

 

4.                 Diva serena

Paz, intensa e instigante. Tua paz é solo onde viceja a ternura.

Base, piso e chão onde, fértil, produz amor e harmonia.

Teu sorriso é alicerce da estrutura mais linda do meu bem querer, meu coração.

Serena e silente, tua extensa excelência ilumina lindos horizontes.

 

5.                 Diva encantadora

Tu és a beleza própria de um coração que brilha e inebria.

Se eu vislumbro amor, você escancara a paixão mais entorpecente.

Não há remédio que possa aplacar o entusiasmo de minha devoção.

Virtuosa, você é o meu vício mais delicioso. Contradição? Não, paixão.

 

6.                 Diva predadora

Empreendedora, és predadora incansável, avança e consome todo meu amor.

Tu fazes da conquista um jogo fanfarrão, para devastar esse ingênuo inocente.

Vítima feliz, eu sou, brinquedo de teu amor, objeto das tuas fantasias. 

Mais louca de minhas amantes ideais, você me devora.

 

7.                 Diva fascinação

Inatingível, parece estar, além dos meus sonhos mais platônicos.

Eu nem acredito trocar transpiração, enquanto ofegamos juntos.

Não sei mais o que é mito ou realidade, o que é sonho ou intimidade.

Você é muito real. Teu fascínio, feitiço fantástico. Devaneio surreal.


8.                 Diva ingênua

Verdadeira, sertaneja, prenda brejeira, menina moça matreira.

Descolada e exuberante, és sofisticada e vibrante.

Aprendiz de Nefertiti, Lilith e Morgana, sensualidade imanente.

Toda nua, sua juventude se insinua, ingênua, feminina, minha vida é toda sua.

 

9.                 Diva poderosa

Valente e corajosa, deusa indecorosa, ninguém é capaz de enfrentar tua força.

Onipresente, não posso escapar dessa servidão à tua adoração.

Avassaladora, faz escravo o vassalo e, vassalo o prepotente.

Forte e continente, diante de sua fortaleza restam músculos indigentes.

 

10.             Diva etérea

Sublime, tua presença transcendental parece um holograma.

Por onde vou, virtual, tua imagem evanesce

Esotérica, remanesce etérea. Nunca efêmera, permanece em mim.

Entidade benfazeja te vejo em todo lugar, te reconheço em toda mulher.

 

11.            Diva musa

Inspiradora, não fala. Entre sustenidos e bemóis, declama em tons harmônicos.

Expiração sensual encontra teu mantra musical em tua ninfa vibração. 

Nove são as musas, mas você é a predileta, minha catarse, sintonia estética.

Extrovertida, teus graves e agudos candentes, cadenciam o ritmo do teu amor.

 

12.             Diva divinal

Excelsa, flanando na Acrópole, exorbita teu alto astral alienado e celestial.

Abraçada pelo sol, Vênus enternece cada um dos teus súditos satélites.

Sideral, Afrodite, és uma constelação inteira de ouro repleta de amor.

Divina e maravilhosa, santa e angelical, tua saborosa malícia, é genial. 

 

13.            Diva eterna

Há o efêmero, quando você é terna e, haverá sempre o eterno, quando esmero.

Nenhum calendário pode te controlar, não posso te localizar na linha do tempo.

Intempestiva, tua volúpia atravessa todos os tempos.

Atemporal, estás à frente do teu tempo. É modelo de tradição, mas veste inovação.

 

14.            Diva silenciosa

Teu sorriso Monalisa é eloquente, misterioso e provocador.

Tua estampa tem a classe e a doçura da jovem maternidade.

Quantos segredos encontram abrigo em você?

Cada olhar, cada gesto, cada toque, todos intensos e expressivos.

 

15.            Diva passional

Possessiva e passional, tua paixão exaure o amante mais obsessivo.

Tens o poder de manter tudo sob sua visão, grande angular e panorâmica.

Observa e consome tudo que tem vontade, nada escapa ao teu sentido aguçado.

Percebe e devora cada detalhe e enxerga o todo, em seu domínio.


 16.            Diva absoluta

Na alvorada, sente a seda macia roçando tua pele, um pêssego suave.

Amor maiúsculo toma conta de tudo à sua volta e alcança todos que deseja.

No crepúsculo assume a personagem diva, como quem veste um cetim.

Calor do teu amor incendeia todo meu corpo, tu és em síntese, a sinfonia magistral.

Integradas, todas divas são um idílico devaneio, por quem devoto meu ser.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Primeira carta da sociedade dos poetas elegantes.

 João Wagner Galuzio


Esta primeira carta a um poeta elegante é inspirada num best seller dos anos 1990, "Cartas a um jovem poeta", uma coleção de mensagens trocadas no início do século 20, entre Rainer Maria Rilke e o jovem poeta Frank Kapuss. O veterano poeta revelou-se um autêntico coach para o noviço, ao compartilhar sua experiência ao exortar a importância da identidade nos textos do candidato a poeta.

Gosto de escrever desde a adolescência quando, no seminário franciscano, produzi várias dezenas de textos, bastantes deles bem apreciados pela minha alma confidente, a irmã Fides. Egresso do meu caminho entre os irmãos menores, rabujento, descartei todo material.

Do casamento. Já um pouco mais maduro, uma nova mentora me estimulou, dizendo verdades insuportáveis em feedbacks necessários e logo a enquadrei, no altar e, num sábado de verão, nos casamos. Logo voltei a escrever, sempre por diletantismo. 

Diz-se do virginiano ser um indivíduo analítico e sistemático, descendente de alemães que sou, muito mais. Dito isso, sou escravo de uma autocrítica severa e rigor formal ainda mais austero, motivo porque meus escritos, querendo ser leves, têm a densidade de uma pluma de chumbo. Poucas vezes deixei outros, que não a minha família, conhecerem minhas linhas.

Recentemente, no ofício de minhas atribuições, em mais uma nova profissão, antes Administrador e Professor, como Consultor Imobiliário, eu recebi em atendimento, um casal de vizinhos do empreendimento onde estou dedicado quando, naquele mesmo dia, inaugurávamos nossas atividades.

Já era noite e o horário estava, virtualmente, encerrando a jornada diária. Eu insistia para que mantivessem aberto o estande de vendas, considerando que estava na vez de atendimento, enquanto o líder da equipe concorrente, concorria para que se fechassem as portas.

O encontro foi efêmero e não consumiu mais do que uns poucos minutos, mas foi bastante suficiente para fundar uma relação de mútua empatia, tantas eram as afinidades, uma verdadeira conspiração do universo e sua sincronicidade. 

A inteligência generosa dos dois, muito rápido, entendeu a malícia do meu apelido, adotado para estabelecer uma relação de identidade com o nome da empresa que ora represento. Novos encontros se sucederam e essa relação têm-se revelado um presente, uma oportunidade. Percebo nestes novos amigos, novos mentores que, me renovam em seus bons conselhos e, numa primeira 'carta a este velho poeta' detonaram meus grilhões.

Cada vez mais seguro, quero escrever e descrever meus ideais, meus dramas, minhas alegrias, medos e fantasias. Talvez em função desse início mais pragmático, próprio de uma atenção isenta e objetiva, características de uma relação profissional, a sequência de eventos tem sido cada vez mais pessoal, natural e informal. Sem pretensões ideológicas de lado a lado, sem dogmas e com os espíritos desarmados, resta o aprendizado, mútuo e saudável. 

Uma ode à vida nesta tribo virtual e digital, onde a humildade é a mais poderosa ferramenta da nossa aprendente humanidade. Hurra!

A carta, manuscrita.


terça-feira, 18 de abril de 2023

Narciso acha feio o que não é espelho!

 

João Wagner Galuzio, véio, feio e fofo.

Caetano, o poeta veloso, sutilizou e cantou em sua música Sampa, o drama de Narciso, o personagem da mitologia grega que representa a vaidade exagerada. Suave, na música, ele explica o bairrismo entre as duas grandes metrópoles, Rio e São Paulo. Até hoje, ainda é evidente vários traços de ciúmes, invejas e picuinhas entre pessoas de cá e de lá, apesar de, essencialmente sermos todos iguais na diversidade.

E, considerando que o bicho humano é um ser gregário, é bastante comum que se estabeleçam laços fortes entre aqueles que são próximos por afinidade, por semelhança, vizinhança, time ou ideologia. Tem mimimi e nhenhenhém até entre os moradores de um condomínio, entre um e outro bloco ou torre, entre classes nas escolas ou, entre a nossa rua e a ‘rua de baixo’. Isso é comum, mas algumas vezes pode não ser muito inteligente e civilizado.

Individualmente, é natural, gostoso, saudável e necessário termos consciência de nossas qualidades, de algumas características pessoais como aspectos físicos, intelectuais, culturais ou sociais. Esses detalhes podem formar e destacar nossa identidade, um jeito de se reconhecer e se sentir como indivíduo, único e especial. Este senso de autoestima é muito importante para o nosso desenvolvimento emocional e afetivo.

Nós, gerontolescentes, que somos, jovens há várias décadas, aprendemos e sabemos que não há um modelo, o certo ou o errado. Afinal somos únicos, não é mesmo!? Podemos dizer que não há, por natureza, uma pessoa melhor ou pior, o feio ou o bonito. Essas classificações são invenções de quem não se conhece, nem os seus próprios limites ou limitações e, por isso, para se esconder, vulneráveis, aborrecem os outros. Hein? Como é que é!? É sério! Muita truculência é sinal de impotência.

A estética, por exemplo, sem ética e sem etiqueta é, em si mesma, a expressão da beleza oca, vazia. Eu preciso perguntar: O que é e onde está a beleza? A sabedoria ancestral, evidente na moral religiosa no judaísmo-cristianismo, no islamismo e no budismo já ensina, há milhares de anos, que a beleza está no caráter paciente, humilde e gentil. O budismo, inclusive, destaca que todo o sofrimento do ser humano é derivado da vaidade que nos ofusca e nos afasta do mundo real. Como disse acima, a mitologia grega quase debocha do narcisismo.

É comum, para o indivíduo que se sente vazio, por desespero, se apegar à casca, ao que é exterior como um cargo, um status, à fama. O deslumbramento e ostentação que não são nada além de uma espuma que entorpece. O fascínio desloca a própria felicidade para fora de nós, em qualquer coisa que não a nossa própria identidade. Parece que precisamos de uma ‘marca’ para iludir e mascarar nossa insegurança e frustração. Erich Fromm, filósofo e psicanalista alemão nos impôs um novo ‘enigma da esfinge’ quando interroga: Ter ou ser? Não tem tênis, joia, carro, roupa, gadget ou perfume que preencha esse vazio, esse buraco, esse desânimo e angústia.   

Ter um rosto bonitinho ou um body saradão não garantem uma mente leve e feliz. Xaveco de véio feio? Ha, ha, ha! Observe como você pode encontrar pessoas humildes, ganhando pouco, que vivem em lugares sem qualquer glamour, com pouca exposição social e, no entanto, são insuportavelmente felizes. Gente simples que não se aguenta de tanta alegria e satisfação de viver. Enquanto é possível encontrar gente com muitos recursos, festejados e celebrados, com casas, carros e muita bajulação, mas com baixa autoestima e mais baixo ainda nível de satisfação, solitários e infelizes. Compram tudo e muito mais e nunca, nada é suficiente.

Ah tá! Os belos esbeltos vão me lacrar ou cancelar. Isso é mesmo papo de véio feio. Sim e eles estarão muito corretos. Idoso, fofinho ou gordinho (ão) e grisalho, sou a síntese ou, o modelo do fora de moda. Sei que não sou e, não quero ser, o normal à moda. A moda tem esse nome porque, antes de expressão de beleza ou de bom gosto, é um conceito básico de estatística para classificar um valor específico como o mais frequente em um determinado grupo ou conjunto.

Essa definição de moda é bacana exatamente para mostrar que, ao contrário de algo distintivo, representa a frequência mais comum, só isso, num determinado grupo. É distintivo apenas para dizer que se repete mais, mas não é significa que tenha maior ou melhor qualificação. Destaca aquilo, todo e qualquer traço em comum, por menos razoável que seja. Deixe-se descobrir a delícia de ser único, imperfeito, com nossos medos e desafios. Este é o caminho de todo indivíduo saudável e com autoestima. Uma verruga, mancha, peso, altura, olhos, cabelo, orelhas tudo e cada detalhe pode trazer angustia ou afirmação para as pessoas. Escolha ser feliz.

Não perceber ou entender isso é um sintoma de desinteligência, de ignorância. Ignorância gera insegurança; Insegurança gera medo; Medo gera aversão que gera arrogância que, gera ignorância. Entende a armadilha? É uma ladainha que se completa e se repete num perverso círculo vicioso virulento. Restam ou sobram ódio, mágoas e ressentimentos. 

Ei, esquece, nem tente ‘esclarecer’ o infeliz infectado por esse vírus. Inseguro e infeliz poderá ficar mais revoltado e você, querendo ajudar, pode acabar aumentando e acelerando o processo. Muito pior, num clássico triangulo neurótico não é difícil o indivíduo nos envolver nesse jogo ou armadilha e entrarmos na paranoia. Os ´narcisos' precisam de ajuda profissional para encontrar o caminho da gentileza. Isso explica, em boa parte, o comportamento, por exemplo, de muitos radicais, sejam eles de qualquer orientação política, religiosa, futebolística etc.

Por último um pouco de cultura nerd também ajuda. Lembro-me de ter assistido um episódio da série Jornada nas Estrelas, lá nos anos 1970, que passava nos canais abertos de tv e, detalhe, só existiam canais abertos.  A tripulação da Enterprise chegava a um planeta onde todos os habitantes usavam máscaras. Não me lembro de outros detalhes, mas a imagem poderosa que gravei em minha mente era o motivo porque usavam tais adereços.

Alerta de spoiler! Não ficava claro, no início, o motivo de usarem aquelas mascaras até que, perto do final, vários indivíduos tiraram suas máscaras. Quem assiste poderia imaginar que usassem por serem ‘feios’ ou por terem feridas, pústulas ou cicatrizes horríveis. Que nada! Eram todos ‘lindos’, daqueles, tipo antigos garotos-propaganda de margarina (propaganda eu disse! kkk). Os habitantes eram todos loiros de olhos claros com a pele lisa e rosada. Então, qual era o problema? O inferno é que eram todos sósias, corpos e rostos idênticos e isso era insuportável, pois não lhes permitia ter identidade, não se percebiam como indivíduos únicos.,

Idoso, eu já fui muito vaidoso, de se achar o cara, o tal e acreditava ser infalível, 'triple A'. Depois, aprendi com Bertold Brecht que podia errar, mas errar sempre diferente. “Inteligência não é não cometer erros, mas saber resolvê-los rapidamente.” Errar pode ser uma oportunidade extraordinária para aprendermos. O preconceito é um erro que todos cometemos um dia, é resultado de um laço forte por afinidade e, ou, um traço mais forte de personalidade. Eu agradeço todos os dias a chance de aprender e crescer, para tentar melhorar. Para isso, precisei aprender e saber perdoar. Quem? Os outros 'narcisos' que me afligiam? Não! A minha cega, vaidosa e ingênua inteligência. Descobri que a melhor ferramenta para realizar a beleza de eu ser humanao é usar o outro como espelho, funciona. Empatia! Experimente, o que é diferente pode ser sensacional.

sábado, 8 de abril de 2023

A páscoa operacional e o amor transcendental.

 

João Wagner Galuzio

Clássico e básico, sabe-se que a páscoa cristã tem sua tradição estabelecida a partir da páscoa judaica, ocasião quando Jesus chegou à Jerusalém para celebrar a ocasião. O evangelho (boa nova em grego) do Nazareno apresentava e representava uma grande mudança nas regras rigorosamente estabelecidas pelos então donos da liturgia. Mais do que os 10 mandamentos, o mandamento de “Amar a Deus acima de tudo e ao próximo, como a ti mesmo!” estabeleceu a síntese de todas as centenas de mandamentos da velha lei.

O trânsito de Jesus entre nós e, em especial nesta santa semana, celebrada a cada ano, é repleta de lições, ensinamentos, extraordinários simbolismos e metáforas em profusão. Cada gesto e toda palavra desse Santo Mestre estão eternizados na liturgia de todos os seus crentes, por todo o mundo, em todas e cada comunidade.

São eloquentes e emocionantes todos os ritos e rituais celebrados de modo cerimonial, com pompa e circunstância em cada igreja, no exato sentido que Jesus nos ensinou: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, lá estará a minha igreja.” Este cerimonial é envolvente, cativante e, também, excruciante quando testemunhamos Sua dor, Seu sofrimento.

Indispensável para celebrar, esse cerimonial, no entanto, é a parte física, visual, instrumental ou operacional da tradição. Essa profunda reflexão pode nos impor um verdadeiro estresse pós-traumático, uma “experiência” tão intensamente angustiante primeiro (o calvário) e, esfuziante depois (a glória), a passagem, a ressurreição. O cerimonial, lembro, é lado objetivo e operacional da celebração. Ratifico, indispensável.

Onde está o transcendental, o que é a sublimação, nesta celebração? Está na inspiração magnífica do Espírito Santo e na assunção vertiginosa de nossas melhores qualidades humanas, à imagem e semelhança do Criador, como: o amor essencial, a santidade natural, mesmo imperfeita, de todos nós, o perdão generoso, a gratidão incondicional. Fácil? Nada, viver essas qualidades, ou competências, exigem toda nossa inteligência, concentração e determinação para quase esboçar uma fração do que deveria ser a nossa manifestação divina. Como praticar e desenvolver isso? Eu tenho uma intuição.

Viver a oração que Ele nos ensinou. Sim, viver! Falar, cantar, gritar ou urrar aquelas palavras, o texto, não têm, nem de perto, a eficácia da nossa experiência de viver o caminho que lá está descrito. Lindo e verdadeiro, o Pai Nosso é um atestado de fé, de esperança e caridade muito sofisticado e muito elaborado para se viver.

Feliz páscoa sempre e enquanto vivermos, absolutamente, o Pai Nosso.

Pai Nosso que estais nos Céus, santificado seja o vosso Nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. A seguir, faça como eu, uma ladainha especial e, familiar. Prepare a sua!

Santa Alice Assunta, orai por nós.

Santa Maria Inês dos gatinhos, orai por nós.

São Guerino do dedo verde, orai por nós.

Santo Irmão Darciso do caráter verdadeiro, orai por nós.  

domingo, 21 de agosto de 2022

Engajamento ou adestramento?

                                      João Wagner Galuzio 

esta data, quase no fim de agosto de 2022, vejo um comentarista político avaliando qual nicho de eleitor tem maior engajamento e por qual meio uns e outros mais se informam, se pelos jornais ou se pelas mídias sociais. 

Ele indica e especifica que um determinado grupo religioso tem suas referências nas redes sociais e é mais engajado do que um outro, que busca informações pelos meios de comunicação mais convencionais como rádio e TV, em particular.

Estou sendo genérico e inespecífico propositalmente para não perder o foco em minhas considerações. Reconheço na estatística uma ferramenta extremamente poderosa para se observar contextos e inferir cenários.

No entanto, algumas análises que parecem ter conclusões coerentes e responsáveis, podem apontar para um alvo e talvez deixem de perceber um conjunto de eventos adjacentes. Objetivamente, não estou certo, cientista social e estatístico que não sou, que o comportamento identificado seja efetivamente engajamento, mas quem sabe, seja muito mais adestramento. 

Sem consultar qualquer dicionário percebo a definição de engajamento como um compromisso radical, intenso e consciente com algo ou alguém. Algo como um valor, uma ideia, ação, vocação ou  missão e, alguém, como um líder, um coletivo, nação ou corporação. Radical no estrito sentido desse enraizamento em bases e alicerces consistentes. Intenso, pois passional e consciente porque resultado de um elaborado processo racional. 

Enquanto o compromisso, nunca menor, mas alienado e pouco inteligente daqueles que são massacrados por manobras e manipulações para se manterem dóceis ou raivosos, continentes  e subservientes parece mais afetado a um adestramento.

Adestramento ou a determinação de um comportamento baseado em castigos e recompensas, não exige lógica nem profundidade. Afirmações toscas e superficiais, mais a desinformação boçal e geral oferecem conforto suficiente para todos que terceirizam sua consciência e responsabilidade pessoal e social. 

Destaco "todos que terceirizam" exatamente para não julgar uma ou outra orientação religiosa. Engajamento ou adestramento, não escolhem lado.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Não estamos sozinhos ou, juntos somos mais fortes?

João Wagner Galuzio 

Nem é sutil essa distância imensa. Falando sobre equipes enfrentei esse dilema. Qual dessas frases seria mais distintiva para o 'trabalho em equipe'? Sim, as duas formas podem ser consideradas, mas me parece haver uma diferença essencial.

As duas parecem detalhar bem o trabalho em equipe, mas a primeira expressão sugere uma perspectiva primeiro sobre indivíduo e daí para o coletivo, diferente da segunda forma que dá ênfase primeiro ao grupo.

Fiquei a imaginar: Se o time como um todo está com sua autoestima baixa, demonstrar que 'não estamos sozinhos' talvez seja mais efetivo. Se, de outro lado, caso haja excesso individual de autoestima, talvez fosse razoável, ou indispensável, destacar como somos mais fortes juntos para não surgirem 'salvadores da pátria' aqueles indivíduos que solapam qualquer senso de equipe.

Se, querendo fortalecer o time, não entendermos essa variação, poderemos mais fragilizar do que agregar.

Esta reflexão quer mostrar que, para comunicar, mais do que dizer palavras é preciso entender como todos as irão interpretar.

O que você acha? Prefere não estar só ou,  prefere ser mais forte, com seus colegas?

Deixe sua opinião!





quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Não é negacionismo!

João Wagner Galuzio 

Somos todos negacionistas. Uns, bem-humorados, negam o título mundial do Palmeiras, o primeiro campeão.

Eu também nego. Não reconheço aquela imagem distorcida que insiste em me enfrentar, no reflexo do espelho. Parece comigo, só que  imenso. Tem aqueles que não percebem a maturidade dos filhos, tem filho que nega a sabedoria dos pais.

A negação é uma malandragem do nosso cérebro para nos proporcionar uma vida mansa. Idealizamos um mundo inocente onde tudo fica bem resolvido em nossa razão cartesiana. Esse negacionismo inocente pode ser natural e até saudável. 

Não! Não é negacionista quem, senhor consciente dos fatos e das consequências, insiste em enganar àqueles inocentes. Não é negacionismo quando percebemos, entendemos e interpretamos os fatos para obter vantagens. 

Negação como método, falácia por princípio,  dissimulação no argumento e malícia na intenção,  não são predicados do negacionista, mas vícios de falsários ou estelionatários e alguns, políticos populistas.

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Série Acrônimos: dizeres difíceis para lembranças fáceis.

Os acrônimos são mnemônicos! 

Hein? Vou simplificar! 

As iniciais de palavras que, combinadas e lidas, letra a letra, como FGTS ou IBGE, são siglas, mas se podem ser lidas como uma nova palavra como UNESCO, SMART ou SEBRAE, são acrônimos.

Se amnésia é falta de memória, mnemônico é tudo aquilo que usamos para tornar nossa memória mais eficaz.

Aqui, eu inauguro uma série de acrônimos que são muito usados no dia-a-dia ou, no mínimo, outroa que são curiosos. Seja SMART e não perca a próxima edição que virá ASAP.


sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Gente, agente transformador.

                                              Angel Soul

Anjos, nascemos comuns, como um.
Todos nós, bebês, somos anjos.
Aos poucos, nos humanizamos.

Felizes , nossa infância aflora,
o que, em nós, a natureza melhora.
Nossa consciência, nosso caráter e
descobrimos todos, quem somos.

Ah, sim. 
Adolescer, diferente, pode ser doloroso.
É preciso aquiescer, para não adoecer
nossa identidade e se permitir, florescer.

Depois de crescer, ser gente, como agente transformador, transforma dor em arrebatamento.

Consciência, Inteligência, Serenidade, é tudo e é só o que é necessário para valorizar nossa diversidade, em cada diversa idade.

Ser felizes é o que todos buscamos, só isso.


domingo, 16 de maio de 2021

Guerra fria civil no Brasil - Quem está vencendo?

João Wagner Galuzio

Era uma vez, a guerra fria, conflito internacional que durou décadas na segunda metade do Século XX envolvendo as duas maiores superpotências do planeta, os Estados Unidos da América e a, então, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Há historiadores que consideram, inclusive, que esse período e conjuntura representariam uma virtual terceira guerra mundial. 

Um temível, provável e sempre iminente confronto nuclear entre estas duas forças antagônicas e seus respectivos países satélites polarizaram um complexo sistema no campo de forças internacional. Dois impérios, uma só obsessão, prevalecer sobre todos, a despeito da liberdade e das vontades de todas gentes. 

De um lado, a URSS mobilizando países em sua área de influência na Europa do leste e parte substancial da Ásia e do Oriente Médio, enquanto financiava iniciativas socialistas em diversas repúblicas nas Américas do Sul, Central e na África. De outro lado os EUA e outras nações obedientes, como Canadá, Europa Ocidental e o Japão, se opunham ao totalitarismo comunista, nem que para isso fosse necessário viabilizar igual totalitarismo por meio de governos militares de direita. 

Muitos testes atômicos depois, a concorrência espacial e  uma extraordinária escalada armamentista acabaram por desarmar vários gatilhos para uma efetiva conflagração bélica, cujos desdobramentos poderiam levar à extinção da humanidade. Receio, medo, pânico ou pavor modularam o nível de tensão por toda parte até o esgotamento desse modelo na última década do milênio. Diziam que uma nova ordem mundial se inaugurava, balela. Vimos apenas o surgimento de um novo componente ocupando espaços deixados pelos antigos antagonistas, a China, no mais o mesmo.  

Eis que a atual conjuntura nacional não parece diferir do modelo havido durante a Guerra Fria, guardadas as proporções. De fato, talvez já tenhamos iniciado a nossa guerra fria, incivilizada, entre as nossas duas impotências (sic) democráticas que, radicais, pretendem impor sua vontade desigual, antes de compor uma sociedade plural. 

Se sustentam da cooptação de pequenos partidos vassalos, satélites dos grupos ideológicos diferentes, mas não distintos, são mesmo cínicos e obscenos. Dois blocos exclusivos entre si, uma só obsessão, prevalecer sobre todos, a despeito da liberdade e das vontades de todas gentes.

Essa nossa guerra civil é fria na forma e incandescente no conteúdo. Na forma as semelhanças estão nas armações, nos recíprocos golpes desleais, nas simulações e conchavos, no compadrio em comissões e comitês. No conteúdo, irrompem argumentos populistas de ideólogos (sic) idiotas e, ou, anacrônicos. Há aqueles que 'odeiam a classe média' enquanto uns outros, como touros enfezados, ululam 'nossa bandeira jamais será vermelha'.       

Em comum, não são unanimidade, como não reconhecem isso são megalomaníacos, tentam usurpar poderes constituídos e testam as placas tectônicas com apropriação de forças vermelhicidas (meu exército não deixará passar) ou da força de movimentos sociais (vou por o exército do MST nas ruas).  

Diversos institutos e mecanismos de pesos e contrapesos jurídicos  vão mediando nossa guerra civil, fria e insensível, adiando o fim da nossa civilidade. Receio, medo, pânico ou pavor vão alimentando o ódio e o nível de tensão por todo país. 

Quem vai vencer? Não sabemos! Podemos medir as perdas humanas, mais de quatrocentos mil em contínua progressão. Outras vítimas são tão irreparáveis como as vidas, visto que sem elas a vida não tem sentido, a educação, a cultura, a esperança e a liberdade. 




sábado, 15 de maio de 2021

Terceira via: mais civismo e menos narcisismo.

                                      João Wagner Galuzio 

Em redes sociais, por mais de uma vez me inqueriram em quem eu votaria, se não fosse no mecânico sindicalista ou no soldado nacionalista? Penso, se me permitem,  menos num nome e muito mais numa atitude, do candidato e dos cidadãos.

Minha opção, via de regra, é não votar em sujeitos que se apresentam como salvadores da pátria, estejam à direita ou à esquerda.

Não acredito em candidato que "joga para a galera"... que fala o que as pessoas gostam de fantasiar, para se esconderem de seus medos. Oferecem soluções fantásticas dizendo: vou resolver tudo no meu mandato... sou o melhor. Se apresentam como infalíveis.

Uai, caramba, é condição natural de ser humano, ser falível. Saber reconhecer nossos limites é meio caminho para o caráter honesto. Falar a verdade implica, inclusive (e especialmente), dizer das decisões graves e impopulares, que são indispensáveis, mas isso não dá voto...

Em nossa adolescente democracia gostamos de ouvir soluções mágicas (e simplistas) que "atendem" (#SQN) nossos desejos mais mesquinhos e, iludidos mantemos nossa mente em uma zona de conforto com falácias ou nacionalistas, ou socialistas. 

Duas utopias ingênuas, próprias de quem é imaturo emocionalmente, a primeira porque é xenófoba e odeia a diversidade, a segunda porque, querendo a diversidade, patrocina um tratamento único para todos, confrontando classes e coletivos, essencialmente diferentes entre si.

As duas não admitem a liberdade, o nacionalismo só reconhece "a fala" dos que pensam igual, enquanto a outra utopia quer impor aquele tratamento isonômico, mas odeia o debate quando fraciona os cidadãos por "lugar de fala"...

Lembrando que nacionalismo não é patriotismo. Hitler, Mussolini e Trump são alguns estandartes do nacionalismo burro e egoísta.

Outro aspecto grave da nossa ingênua democracia é essa necessidade de indicarmos um certo 'quem' ... nosso sistema político não está estruturado em ideologias e, ou, propostas de nação com partidos fracos e frouxos.

Prevalecem os indivíduos acima dos partidos que parecem menos agremiações ideológicas e se parecem muito mais com franquias mercadológicas: 

O que você quer? Faça seu pedido! Emprego? Nossa franquia é a melhor, até o nome da marca envolve trabalho.

Ah você quer educação? Nossa marca é especialista em adestramento moral.

Essas 'franquias' não têm líderes partidários, mas donos que se comportam como 'reizinhos' desde as capitanias hereditárias.  Não há desenvolvimento de novas lideranças, inauguram dinastias.

Esse modelo é ao mesmo tempo causa e efeito da miopia estrábica de eleitores que, ora nos comportamos como clientes dessas franquias (partidos), ora como torcedores.
Mais ou menos engajados (os clientes) ou mais ou menos fanáticos (os torcedores).

sábado, 17 de abril de 2021

Não acredite na ciência, entenda-a! Fé é da natureza das religiões.

 João Wagner Galuzio

Trocando uns dedos de prosa com meu irmão José Roberto, tentávamos entender como que, considerando os argumentos escabrosos e bizarros multiplicados todos os dias por negacionistas, pessoas inteligentes e razoáveis, ainda resistem a acreditar na ciência no que se refere ao enfrentamento da Covid-19. Neste instante, não me caiu uma ficha, mas um orelhão1 inteiro despencou sobre mim. Percebi que estamos jogando o jogo dos fanáticos, dos fundamentalistas, ou políticos, de quaisquer partidos, ou religiosos de qualquer denominação.  Os que são fanáticos odeiam a razão e, obsessivos, vivem em constante exaltação. São estimulados pela paixão ou afetados pelo medo, sempre irracionais.

Sem juízo de valor, crente como eu sou penso que seja oportuno lembrar ou entender algumas sutilezas. Acreditar é a manifestação da fé incondicional, da doce e mansa obediência a dogmas e certezas inexplicáveis e aquele que acredita não busca o saber, a fé lhe é bastante suficiente. A ciência ou, o conhecimento, muito diferente disso, não se sustenta pela crença ou pela fé. Duvidar é a manifestação da humildade indispensável da mente inquieta e sedenta por aprender. A certeza, estática e imutável, é a falência da ciência, pois o próprio conhecimento é, essencialmente, dinâmico e movediço. Não acredite na ciência, entenda-a!

Uma das estratégias para se impor uma certeza é a interrupção constante da voz daqueles que desejem apresentar uma hipótese alternativa. Não permitem que algum argumento diferente, mais ou menos coerente, seja considerado. Nenhuma frase, por menor que seja, encontra oportunidade de ser elaborada. O único modo em que os fanáticos operam, para controlar a cena é o passional, deslocando seus noviços para o nível primitivo, mantendo-os ora com medo, dizendo, por exemplo -“Nossa bandeira jamais será vermelha” e, ou, como remédio para elevar a autoestima uma simulação de patriotismo – “O Brasil acima de tudo...” Mais uma vez eu preciso ratificar: o fanatismo não escolhe orientação política ou religiosa. Há fanáticos que acreditam serem proprietários exclusivos da ética (autoestima) e odeiam a classe média patrocinando o medo ou ódio das elites (sic).

Não faz sentido sugerirmos aos fanáticos para que acreditem na ciência, seria como pedir que alguém, intrínseca e radicalmente, subordinado a uma fantasia ou alegoria pudesse adotar a ciência como se fora outra religião.  Que acreditem, com entusiasmo, no que quiserem, mas entendam que a ciência, complexa e sutil, generosa e flexível, trabalha objetivamente no nível racional, sem afetações. Impossível não extrapolar a carta de São Paulo aos Coríntios, em seu décimo terceiro capítulo.

O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza e não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo.

Assim como o amor é a ciência. Sem amor, a ciência se esvanece, mas com as suas virtudes é sensível, nunca radical. Não funciona com ódio, nem medo, não se prevalece.

Extremistas, nacionalistas ou populistas, como forma de manipulação, usam o sentimento de insegurança, de fragilidade e de vitimização para semear o medo. Instalado o medo, se apresentam como estandartes da autoestima virtuosa, necessidade de todos bons cidadãos que, ingênuos, se identificam e repercutem menos como robôs, e mais como tratores, aqueles rolo-compressores, com  discurso imperador e imperativo. Xenófobos, para manterem sua zona de conforto, usam da velocidade e da intensidade de seus ataques para, invertendo o sentido e significado dos diálogos calar os que pensam diferente.

Não é improvável que você conheça a frase apócrifa “Sempre acuse seus adversários do que é verdadeiro sobre você mesmo.” Algumas vezes atribuída a Lênin -sem evidências- esta sentença é bastante utilizada pela direita para denunciar eventual desvio de caráter da esquerda. De novo, de autor desconhecido, a frase parece se aplicar aos dois extremos políticos que têm, como traço comum, o mau-caratismo. Parece ser o modus operandi de todo aquele que pretende semear ódio e cizânia. Steve Bannon, por exemplo, ensina estratégia semelhante quando orienta algo como: ‘Ocupe a mídia e domine a pauta, nem que seja necessário dizer absurdos, mas não dê espaço para o discernimento ou razão.’

A quantidade extraordinária de mensagens com fake news, que se sucedem em poucos minutos, todos os dias, faz parte dessa estratégia passional. Essa avalanche de falácias não dá tempo para que se possa processar qualquer informação. Uma vez doutrinado, o sujeito irá objetar tudo que os outros possam querer lhe apresentar como argumentos alternativos. Ofuscado, mesmo desejando ser inteligente e sensato, será envolvido, novamente, uma bola de neve de mais noticias falaciosas que irão representar um reforço positivo aos seus dogmas ou estimulando sua autoestima ou afetando sua memória afetiva com bastante medo. Está posto o círculo vicioso do medo e autoestima. A ciência? É estratégia do inimigo! Professores? Que sejam desmoralizados. Idiotas? Se cumplices, que sejam tratados como renomados especialistas, para que simulem uma ciência carismática e medieval, para que todos convertidos nela acreditem. 



1 Para os muito jovens, ‘orelhão’ era um equipamento telefônico público, disponível nas ruas, cujo  formato se assemelhava vagamente ao nosso pavilhão auricular. Como se fosse uma cabine telefônica, onde usávamos fichas que, por vezes, se não ‘caiam’ não completavam a ligação.

segunda-feira, 29 de março de 2021

Visão sistêmica e miopia sistemática - uma questão de ótica!

João Wagner Galuzio

Certa vez, depois de eu descrever a importância da visão sistêmica como competência diferencial para o exercício cidadão e profissional, um aluno me trouxe, na aula seguinte, seu currículo onde já havia adicionado essa virtude entre suas qualificações. Expliquei, por óbvio, que no currículo devemos apresentar tudo aquilo que podemos demonstrar suficiência ou experiência. Propus um desafio para que pudesse demonstrar essa capacidade e lhe pedi que fizesse uma análise da, então recente, crise financeira internacional decorrente dos eventos relativos aos títulos sub prime que devastou a economia por todo o planeta no final da primeira década do século 21. Ligeiro, ele respondeu: “É uma crise, é financeira e é internacional!”

Naturalmente tive oportunidade de orientar o noviço sobre como parecia singela sua resposta e apresentei alguns elementos que, no meu também modesto entendimento, pareciam ser ingredientes de uma visão sistêmica como as habilidades de observar e perceber a dinâmica, a velocidade e a intensidade ao longo do tempo e, simultaneamente, reconhecer a extensão e a repercussão no espaço ou ambiente relativo aos eventos intrínsecos a aquela crise.

Apesar de 10 anos passados, penso que cada vez mais seja necessário refletir nestes tempos em que redes sociais se tornaram tribunais, muitos blogs pretendem ser agência de notícias e indivíduos que, de cidadãos conscientes, se converteram em aglomerados radicais, cujas opiniões são determinadas por algum tutor ou mecanismo virtual. Como isso pode acontecer? Eu, cândido e poliano, vou tripudiar uma hipótese, primária, mas plausível.

Para contextualizar vou buscar algumas referências ancestrais relativas ao desenvolvimento de nosso jeito homo sapiens de entender o mundo. O nosso córtex pré-frontal é um dos componentes mais sofisticados do nosso cérebro e capaz de observar, comparar, associar, elaborar e processar raciocínios complexos. No entanto, esse processador fenomenal talvez esteja perdendo protagonismo para os nossos cérebros límbico e reptiliano, que alternam soluções excludentes entre si: bater ou correr, lutar ou fugir, enfrentar ou se esconder. Parece que nunca foi tão fácil (e delicioso) criticar ou, como se convencionou dizer mais recentemente, ‘cancelar’ o outro. Não concordamos com o que nem entendemos e então criticamos ou, se impotentes para criticar, tratamos como descartável e desprezível a opinião do outro, simplesmente lhe atribuindo com sarcasmo qualquer predicado ou adjetivo infeliz.

Otimista compulsivo, eu pensava que este retrocesso fosse de apenas algumas poucas décadas, mas agora percebo que o gatilho da polarização nos transporta, na melhor das hipóteses, à idade média e, na pior das hipóteses, à idade da pedra lascada. A conveniência da mentalidade medieval nos trazia conforto quando enxergávamos o sol em torno da terra, dogma que parecia óbvio no tempo das trevas. Antes, como nômades sapiens, temíamos a luz além das cavernas, valei-me Platão. Esse enxergava muito! Essa polarização atual patrocina o linchamento dos que se alternam e se altercam em cavernas vizinhas, mas opostas.

O que é sombra para um é luz para o outro e vice versa. Ofende a todos os entrevados atrever-se tentar enxergar além de sombras no cafofo da caverna, zona de conforto de cérebros cujos neurônios parecem satisfeitos encharcados de dopamina, uma lente química para recompensar nossas certezas. O método de linchamento varia conforme o buraco em que se meteram. Para os ermitões à direita, pensamento crítico faz do iluminado um ‘isentão’ ou omisso, para os que se acham progressistas na caverna à esquerda, ter comportamento ou consciência diferente, o torna um burguês, classe média. Para os que estão em cavernas, não interessa a razão, apenas a desmoralização. Para manterem a ordem unida uns, surdos, berram slogans e gritos de guerra, enquanto do outro lado, alguns punhados gritam e repetem citações como se decreto, certeza ou verdade absoluta fossem.

Hoje, para viver e crescer numa sociedade complexa e dinâmica impõe-se, como elementar, a necessidade de se perceber, observar e aprender os movimentos mais ou menos velozes e as tensas e intensas mudanças ao logo do tempo; e, mais ou menos abrangentes e extensas no espaço. Parâmetros elementares que representam a base da visão sistêmica. Se não, de outro modo, míopes, vamos perceber e observar quaisquer fenômenos de um jeito embaçado e, ou, editados e afetados por lentes distorcidas, provocando o astigmatismo ideológico.

Perceber e observar fotos e memes, alguns divertidos - é verdade-, outros ‘ingênuos’, para se entender as engrenagens de como se dá a evolução política de uma sociedade, a relação entre os poderes, as implicações jurídicas e as sutilezas culturais representa uma sistemática miopia intelectual. Para ficar na metáfora oftalmológica é como ignorar um grave escotoma, para enxergarmos apenas o que podemos ou queremos. Um escotoma pode ser natural, o ponto cego lateral de nossa vista ou, se patológico, é a perda, menor ou maior, de parte do campo visual resultado de uma lesão na retina. Por analogia, também se diz escotoma a nossa fixação em um único e estreito foco na observação ou análise de qualquer evento, versus um universo de detalhes em perspectiva. Enxergamos apenas o paradigma mais confortável como arma para lutar ou ferramenta para fugir do que não sabemos.

Negação, distorção e generalização são algumas das lentes mais fáceis para fazer nossa miopia parecer ‘supervisão’ sistêmica. Prevalece o domínio do método indutivo para se entender o todo a partir de algum mínimo substrato do objeto. Esse método de se compor o contexto não tem nada de errado em si mesmo, a encrenca se dá quando escolhemos e determinamos apenas uma fração para formar inteiros deformados. Essa edição, muitas vezes, nos faz chapar todas as sutilezas como intensidade e extensão, no tempo e no espaço, como se tudo estivesse na mesma proporção.

Um evento, dado ou informação numa dimensão primitiva, em março de 2020 divulgada no sertão da ciência subordinada a todo tipo fundamentalismo ideológico é usado para comparar com uma avaliação sofisticada, complexa e multifacetada produzida em laboratórios teóricos submetidos a todos rigores metodológicos. Faz-se um recorte, pode ser um post bobo, para ‘julgar’ um relatório ou estudo envolvendo o estado-da-arte em pesquisa científica. Pior, muitas vezes, aqueles ‘cientistas’ fundamentalistas usam a estrutura de apresentação de métodos para fazer parecer crível. Assim, basta chamar de científico um texto medíocre, simulacro de meta-análise, mas apenas colagem ginasial de ideias desconexas, que é divulgado numa revista desqualificada, para que ele pareça ganhar status para enfrentar teses elaboradas e amplamente testadas, corroboradas ou não. As cavernas ululam e apupam a sombra que ilumina sua miopia sistemática.